Para os críticos da revista Sight and Sound, o americano BOYHOOD - DA INFÂNCIA À JUVENTUDE de Richard Linklater é o melhor filme do ano. A listagem completa dos #melhoresde2014 tem ainda os novos filmes de Jean-Luc Godard (França), Andrey Zvyagintsev (Rússia), Pedro Costa (Portugal) e Jonathan Glazer (Inglaterra) no #top5.
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quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
sexta-feira, 6 de junho de 2014
Para ver: EU, MAMÃE E OS MENINOS (Les garçons et Guillaume, à table!, 2013, de Guillaume Gallienne). Com Guillaume Gallienne, André Marcon, Françoise Fabian, Diane Kruger.
sábado, 10 de maio de 2014
A edição nº 75 do maior festival de cinema do mundo, o FESTIVAL DE CANNES, começa na próxima quarta-feira, dia 14 de maio. Já assistiu a todos os filmes que fizeram parte da edição de 2013? Relembre aqui cada um dos concorrentes.
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Festival de Cannes
quinta-feira, 17 de abril de 2014
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Olivier
DAHAN
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GRACE DE MONACO
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(filme de
abertura)
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COMPETIÇÃO OFICIAL:
Olivier
ASSAYAS
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SILS MARIA
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Bertrand
BONELLO
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SAINT
LAURENT
|
Nuri Bilge
CEYLAN
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KIS UYKUSU
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David CRONENBERG
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MAPS TO
THE STARS
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Jean-Pierre DARDENNE e Luc
DARDENNE
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DEUX
JOURS, UNE NUIT
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Xavier
DOLAN
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MOMMY
|
Atom
EGOYAN
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CAPTIVES
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Jean-Luc
GODARD
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ADIEU AU
LANGAGE
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Michel
HAZANAVICIUS
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THE SEARCH
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Tommy Lee
JONES
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THE
HOMESMAN
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Naomi
KAWASE
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FUTATSUME NO MADO
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Mike LEIGH
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MR. TURNER
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Ken LOACH
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JIMMY’S
HALL
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Bennett
MILLER
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FOXCATCHER
|
Alice
ROHRWACHER
|
LE
MERAVIGLIE
|
Abderrahmane
SISSAKO
|
TIMBUKTU
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Damian
SZIFRON
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RELATOS SALVAJES
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Andrey
ZVYAGINTSEV
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LEVIATHAN
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UN CERTAIN REGARD:
Marie AMACHOUKELI, Claire BURGER e Samuel THEIS
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PARTY GIRL (1st film)
(filme de
abertura)
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Lisandro ALONSO
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SIN TITULO
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Mathieu AMALRIC
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LA CHAMBRE BLEUE
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Asia ARGENTO
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INCOMPRESA
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Kanu BEHL
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TITLI (1st film)
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Ned BENSON
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ELEANOR RIGBY
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Pascale FERRAN
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BIRD PEOPLE
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Ryan GOSLING
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LOST RIVER (1st film)
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Jessica HAUSNER
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AMOUR FOU
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Rolf de HEER
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CHARLIE’S COUNTRY
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Andrew HULME
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SNOW IN
PARADISE (1st film)
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July JUNG
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DOHEE-YA (1st film)
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Panos KOUTRAS
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XENIA
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Philippe LACÔTE
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RUN
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Ruben ÖSTLUND
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TURIST
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Jaime ROSALES
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HERMOSA JUVENTUD
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WANG Chao
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FANTASIA
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Wim WENDERS e
Juliano RIBEIRO SALGADO
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THE SALT OF
THE EARTH
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Keren YEDAYA
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HARCHECK MI
HEADRO
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sábado, 15 de março de 2014
ERNEST E CELESTINE. Essa animação francesa, uma pequena joia feita na contracorrente daquilo que o cinema norte-americano costuma produzir, acabou finalista do Oscar de Melhor Animação em 2014. Tem uma concepção visual belíssima, apoiada nas composições estéticas e visuais das pinturas impressionistas do século XIX (de volumes completamente bidimensionais, sem contornos nítidos e com lindos efeitos de luz e sombra a partir da utilização das cores). Tal escolha não se dá ao acaso, já que a forma serve ao conteúdo, que tem por objetivo celebrar um dos sentimentos mais nobres: a amizade constituída entre seres de morfologia e valores extremamente opostos - uma ratinha e um urso. Nesse universo delicado e imerso em emoções genuinamente humanas, os dois se encontram e da amizade proibida entre as raças, surge uma grande história a ser contada. Daqueles filmes doces e divertidos, pra ficar com sorriso no rosto depois de assisti-lo.
Para ver: ERNEST E CELESTINE (Ernest et Célestine 2013, de Stéphane Aubier e Vincent Patar). Com as vozes de Lambert Wilson E Pauline Brunner
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
Com a epopeia de Adèle no alardeado AZUL É A COR MAIS QUENTE, que arrebatou a Palma de Ouro em Cannes na edição de 2013, o diretor Abdellatif Kechiche implode sua protagonista de dentro pra fora, durante os anos de amadurecimento sexual e sentimental da jovem, próximo aos dezesseis-dezoito anos, revelando sua atração por mulheres. Do primeiro olhar de canto de olho para uma amiga da escola, passando ao primeiro beijo ("de brincadeira"), a constatação de que é diferente da maioria das garotas de sua idade a leva ao afastamento dos meninos, ao distanciamento da família (mesmo morando debaixo do mesmo tempo) e ao recolhimento que busca respostas que quase imediatamente a levam a um mundo inicialmente desconhecido - personificadas por Emma, a menina dos cabelos azuis - que formará o restante de sua personalidade, Se a naturalidade da proposta de Kechiche ao lidar com um assunto tão tabu de forma tão sincera choca com as provocantes, longas e corajosas cenas de sexo que a interprete Adèle Exarchopoulos e sua companheira de tela Léa Seydoux fazem, isso também justifica a necessidade do autor em tratar o assunto nesses termos. As duas atrizes brilham, e não foi por acaso que pela primeira vez o festival francês consagrou duas atrizes com a Palma de Ouro (além do filme).
Como o título original indica ("La vie d'Adèle - Chapitres 1 et 2") o diretor e roteirista propõe uma construção narrativa sem segmentação para os dois capítulos da vida da personagem, que poderiam ser chamados de antes e depois de conhecer Emma. Mas de fato, o que temos são três momentos em cena: a descoberta da sexualidade da personagem, seu romance e o pós-relacionamento. É tudo lindo e de uma coragem formidável, que como todo grande filme, merece ser recebido de peito aberto e sem pressão.
Para ver: AZUL É A COR MAIS QUENTE (La vie d'Adèle - Chapitres 1 et 2, 2013, de Abdellatif Kechiche). Com Adèle Exarchopoulos, Léa Seydoux, Benjamin Siksou.
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
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Para ver: JOVEM E BELA (Jeune e Jolie, 2013, de François Ozon). Com Marine Vacth, Géraldine Pailhas, Frédéric Pierrot.
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sexta-feira, 12 de julho de 2013
Em A ESPUMA DOS DIAS, o diretor francês Michel Gondry leva ao extremo as excentricidades visuais e narrativas que já faziam parte de seus trabalhos anteriores, como BRILHO ETERNO DE UMA MENTE SEM LEMBRANÇAS e SONHANDO ACORDADO. Cada vez mais infiltradas no processo de contar a história do filme, as ‘estripulias’ ganham forma e conteúdo impressionantes que, inicialmente, podem até assustar o espectador menos acostumado à esfuziante criatividade com que Gondry constrói seu universo – que dessa vez, é adaptado da obra homônima do autor francês Boris Vian, e não é exagero dizer que poderia ser encarado como uma sucessão de pinturas de Salvador Dalí em movimento.
Em pouco mais de duas horas, Gondry abusa do surrealismo para formular a representação de um mundo novo e fantasioso, uma Paris que desafia as leis da física e da qual lógica e racionalismo não fazem parte. Nesse aspecto, a sequência de abertura é fundamental para entender o filme: nela, uma equipe de datilógrafos se reveza na escrita da narrativa da vida do protagonista, Colin, no exato momento em que as palavras passam a virar ações, como um personagem da literatura que ganha vida real – Gondry retoma o espaço da sala da datilografia em momentos pontuais ao longo do filme, a mais genial delas quando Colin tenta fazer parte da equipe de digitadores, como se quisesse passar a controlar sua própria vida, que saiu completamente de seu controle.


Colin (Romain Duris) é um bon-vivant que vive de uma quantia que tem na poupança (sem nunca ter precisado trabalhar) e mora em uma confortável residência cheia de aparatos ultra tecnológicos, que ganham vida ou dialogam com os personagens sobre uma ótica anacrônica, completamente distante da realidade do nosso tempo. Contratou seu advogado como cozinheiro e conselheiro (Omar Sy) e dá uma importância grande à sua condição financeira (sua relação com seu cofre é primordial pra se compreender onde Gondry quer chegar), esbanjando em jantares regados à comidas e bebidas exóticas. No entanto, Colin vê todos ao seu redor completamente apaixonados e decide que precisa seguir o mesmo caminho e em uma festa ele conhece a jovem Chloé (Audrey Tatou), e do primeiro encontro (que o leva às nuvens, literalmente) logo decidem se casar. A felicidade avassaladora de uma vida boa se esvai quando a esposa descobre uma doença: uma flor de lótus cresce em seu pulmão e o tratamento é urgente e necessário (uma metáfora linda, mas não menos dolorosa para o câncer), transformando a vida dos dois em completa melancolia.
Da alegria à depressão, Gondry capta sua trama com profundo domínio do espaço, mostrando a degradação da vida dos personagens a partir da depreciação da residência do casal, que aos poucos vai perdendo partes e se tornando completamente disfuncional – como uma vida acometida por um problema de saúde. Inúmeras outras metáforas são construídas ao longo do filme, cada uma mais deliciosa e imbuída de uma mistura ironicamente poética, capaz de retratar com exatidão o sentimento daquilo que se quer contar, em especial nos episódios do cotidiano dos personagens (como alguém que “corre tanto que parece querer fugir da própria sombra” ou que “fica de cabelos brancos de tanta preocupação”).
Nesse tempo e espaço indefinido, Gondry entrega ao espectador uma fábula praticamente irretocável sobre o esse gostinho agridoce que a vida faz questão de nos lembrar todos os dias.
A ESPUMA DOS DIAS
(l'écume de jours, frança, 2013, de michel gondry)
A ESPUMA DOS DIAS está em cartaz no Cine Jardins s e os horários e salas podem ser conferidos aqui.
quinta-feira, 9 de maio de 2013
François Ozon já andou sendo apelidado de “Woody Allen francês” pela imprensa e críticos, tamanha facilidade que tem de transitar pelos muitos gêneros cinematográficos – o musical (Oito Mulheres), o suspense investigativo (Swimming Pool – À Beira da Piscina), o drama humano (O Tempo Que Resta), o romance (O Amor em Cinco Tempos) e a comédia (Potiche), para citar apenas seus títulos mais recentes – e por sua incrível produtividade (praticamente um filme por ano, assim como o cineasta novaioquino). DENTRO DA CASA, que estreou no último ano na Europa e chega neste final de semana a Vitória, no Cine Jardins, é também uma novidade na filmografia do diretor e um dos filmes mais interessantes que o cineasta já produziu. A história, que mostra a relação entre um professor e seu aluno, este um meticuloso adolescente que desperta a tutela de seu mestre por sua capacidade pouco comum para a literatura, é um exemplar cheio de artimanhas: Ozon constrói uma trama cujo universo ficcional (o criar literário do jovem aluno) se mistura a seu próprio filme. Ele entrega “meias-verdades” ao espectador (nesse caso também expectador, tamanha agonia que o cineasta envolve sua plateia naquilo que está por vir), que por sua vez transforma as informações a sua maneira, investigando junto do professor protagonista o que é o ‘real’ e o que é ‘ficção’ (dentro do filme). O grande acerto de Ozon para permitir que seu público trabalhe a leitura do roteiro enquanto ele exibe o que precisa ser visto é conseguir conectar toda essa encenação de modo a não segmentar os atos ‘reais’ e ‘ficcionais’ que existem dentro do filme. A perspicácia do outro protagonista, o aluno, é outro importante ponto de apoio para Ozon, uma vez que tanto roteiro quanto a atuação do menino Ernst Umhauer são fundamentais para a abordagem: a facilidade do jovem em se tornar sedutor e sedutivo com os outros personagens do filme (a ponto de torná-los personagens de sua literatura, desvendar seus segredos e trazer à tona os mais profundos segredos/desejos de cada membro da casa que adentra para fazer disso a história da "redação escolar" que escreve) pula para o lado de cá da tela, e Ozon faz joguetes com o público, transformando-os em marionetes incomodadas com seus fios e amarras, da mesma forma com que o garoto faz com o restante dos personagens do filme. Mas o grande acerto cinematográfico do diretor também se torna seu maior pecado quando ele traz uma desnecessária presença fantasiosa de personagens que entram em cena e dialogam com sua própria consciência – algo que Bergman e o próprio Woody Allen fizeram em seus filmes de modo bastante funcional e quase poético, mas que aqui soa apenas como confusão excessiva. Um pequeno deslize numa obra incrivelmente fascinante, tal qual seu plano final, uma clara homenagem ao mais voyeur dos filmes já feitos na história do cinema, JANELA INDISCRETA.
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DENTRO DA CASA está em cartaz a partir desta sexta-feira, 09 de maio, no Cine Jardins.
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