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quarta-feira, 14 de janeiro de 2015


Há três grandes trunfos em WHIPLASH: o roteiro, que passa por cima do fundo moralista, maniqueísta e clichê de tantos outros filmes que apresentam personagens em um duelo; a direção, que acerta o tom em uma edição esfuziante; e os atores, alma da trama que aborda a rotina de um obstinado estudante de música e seu relacionamento com um professor carrasco.

Damien Chazelle, autor do roteiro e diretor do longa, se baseou em suas experiências pessoais para narrar a história de Andrew (Miles Telles), um garoto de 19 anos que é admitido na melhor escola de música dos Estados Unidos para desenvolver sua paixão pela bateria e pelo Jazz. Em seu caminho, o professor Terence Fletcher (J.K. Simmons), um autoritário de primeira linha, também conhecido pelo seu apuro no desenvolvimento de grandes talentos da música. A obstinação do moleque em se tornar ‘o melhor baterista de sua geração’ – suor e sangue é o mínimo da dedicação diária para ele – também é o fio que conduz seu mentor. A diversão, então, é substituída por medo, ansiedade e estresse extremos, com os personagens agindo como boxeadores em um ringue de batalha.

Chazelle transfere esse espírito para a direção do filme, compondo planos curtos e de rápida transição - como as batidas nos pratos do instrumento musical que é centro da história – em um exercício de edição que reforça a tensão do embate entre Andrew e Fletcher. E não hesita em exibir determinadas ações uma, duas, três, quatro, cinco vezes em sequência, transferindo para o público o cansaço da repetição própria de quem busca perfeição na música – que o subtítulo nacional do filme entrega mastigado para o público. WHIPLASH saiu premiado como melhor filme do Festival de Sundance em 2014 e já é um dos destaques da temporada de premiação, com as honras maiores caindo sobre os ombros de J.K. Simmons, que constrói um personagem cuja sensibilidade musical deságua em um abuso desmedido de seus pupilos, tomado por um poder coercitivo que parece saber dosar e transformar como ninguém a potência vocal. 

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Para ver: WHIPLASH - EM BUSCA DA PERFEIÇÃO (Whiplash, 2014, de Damien Chazelle). Com Miles Telles, J.K. Simmons, Paul Reiser, Melissa Benoist.
Cotação:

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

A premiação do Globo de Ouro deste ano alinhavou os vencedores que o Oscar deve confirmar, pelo menos nas principais categorias, através das indicações que acontecem na próxima quinta-feira, dia 15 de janeiro, e na premiação de fevereiro. BOYHOOD - DA INFÂNCIA À JUVENTUDE, confirmou sua (quase) onipresença saindo com os prêmios de melhor filme dramático e diretor, deixando escapar apenas o prêmio de roteiro para BIRDMAN, seu principal concorrente na temporada, que foi desbancado por O GRANDE HOTEL BUDAPESTE na disputa do prêmio de melhor filme de comédia ou musical. 

O elenco e a equipe de produção de BOYHOOD - DA INFÂNCIA À JUVENTUDE

Nas categorias de atuação, Julianne Moore, Eddie Redmayne, Patricia Arquette e J.K. Simmons confirmaram o favoritismo. LEVIATÃ, da Rússia, foi eleito o melhor filme estrangeiro e COMO TREINAR SEU DRAGÃO 2, a melhor animação.


MELHOR FILME – DRAMA
Boyhood

MELHOR DIRETOR
Richard Linklater, por Boyhood

MELHOR ATRIZ – DRAMA
Julianne Moore, por Still Alice

MELHOR ATOR – DRAMA
Eddie Redmayne, por A Teoria de Tudo

MELHOR FILME – COMÉDIA OU MUSICAL
O Grande Hotel Budapeste

MELHOR ATRIZ – COMÉDIA OU MUSICAL
Amy Adams, por Big Eyes

MELHOR ATOR – COMÉDIA OU MUSICAL
Michael Keaton, por Birdman

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Patricia Arquette, por Boyhood

MELHOR ATOR COADJUVANTE
J.K Simmons, por Whiplash

MELHOR ANIMAÇÃO
Como Treinar Seu Dragão 2

MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL
Johann Johannsson, por A Teoria de Tudo

MELHOR CANÇÃO
“Glory”, de Selma

MELHOR ROTEIRO
Alejandro González Iñárritu, Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris, Armando Bo, por Birdman

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Leviatã, da Rússia

sábado, 13 de dezembro de 2014

A divulgação dos indicados ao Globo de Ouro 2015 parece ter sacramentado alguns nomes, colocado na disputa outros que pareciam sair do time e de fato retirar algumas apostas na lista de melhores do ano.


Boyhood e Birdman despontam como os favoritos da temporada, acompanhados pelas ascensões de O Jogo da Imitação, A Teoria de Tudo e Selma (cuja diretora, Ava Duvernay, se tornou a primeira diretora negra a concorrer ao prêmio em sua categoria). O Grande Hotel Budapeste e Garota Exemplar também ressurgem como boas apostas para a disputa do Oscar, que só terá seus indicados em janeiro. 

Para os cinéfilos apaixonados pelas premiações e tarados pela 'previsão' dos indicados ao Oscar, boas análises foram feitas nos blogs Filmes do Chico, Termômetro Oscar e no Awards Daily

Os indicados nas principais categorias do cinema:

Melhor Filme - Drama
"Boyhood"
"Foxcatcher"
"O jogo da imitação"
"Selma"
"A teoria de tudo"

 Melhor Filme - Comédia ou musical
"Birdman"
"O grande hotel Budapeste"
"Caminhos da floresta"
"Pride
"Um santo vizinho"

Melhor Atriz - Drama
Jennifer Aniston ("Cake")
Felicity Jones ("A teoria de tudo")
Julianne Moore ("Still Alice")
Rosamund Pike ("Garota exemplar")
Reese Witherspoon ("Livre")

Melhor Ator – Drama
Steve Carell ("Foxcatcher")
Benedict Cumberbatch ("O jogo da imitação")
Jake Gyllenhaal ("O abutre")
David Oyelowo ("Selma")
Eddie Redmayne ("A teoria de tudo")

Melhor Atriz – Comédia ou musical
Amy Adams ("Big eyes")
Emily Blunt ("Caminhos da floresta")
Helen Mirren ("A 100 passos de um sonho")
Julianne Moore ("Mapa para as estrelas")
Quvenzhané Wallis ("Annie")

Melhor Ator - Comédia ou musical
Ralph Fiennes ("O grande hotel Budapeste")
Michael Keaton ("Birdman")
Bill Murray ("Um santo vizinho")
Joaquin Phoenix ("Vício inerente")
Christoph Waltz ("Big eyes")

Melhor Ator Coadjuvante
Robert Duvall ("O juiz")
Ethan Hawke ("Boyhood")
Edward Norton ("Birdman")
Mark Ruffalo ("Foxcatcher")
J.K. Simmons (Whiplash")

Melhor Atriz Coadjuvante
Patricia Arquette ("Boyhood")
Jessica Chastain ("A Most Violent Year")
Keira Knightley ("O jogo da imitação")
Emma Stone ("Birdman")
Meryl Streep ("Caminhos da floresta")

Melhor Diretor
Wes Anderson ("O grande hotel Budapeste")
Ava Duvernay ("Selma")
David Fincher ("Garota exemplar")
Alejandro González Iñárritu ("Birdman")
Richard Linklater ("Boyhood")

Melhor Roteiro
Wes Anderson ("O grande hotel Budapeste")
Gillyan Flinn ("Garota exemplar")
Alejandro González Iñárritu ("Birdman")
Richard Linklater ("Boyhood")
Graham Moore ("O jogo da imitação")

Melhor Animação
"Operação Big Hero"
"Festa no céu"
"Os Boxtrolls"
"Uma aventura Lego"
"Como treinar seu dragão 2"

Melhor Filme Estrangeiro
"Força Maior" (Suécia)
"Gett" (Israel, Alemanha, França)
"Ida" (Polônia)
"Leviatã" (Rússia)
"Tangerines" (Estônia)

Melhor Trilha Original
Johann Johannsson – "A teoria de tudo"
Alexandre Desplat – "O jogo da imitação"
Trent Reznor & Atticus Ross – "Garota exemplar"
Antonio Sanchez – "Birdman"
Hans Zimmer – "Interestelar"

Melhor Canção Original
"Big Eyes" – "Big Eyes" 
"Glory" – "Selma"
"Mercy Is" – "Noé" 
"Opportunity" – "Annie"
"Yellow Flicker Beat" – "Jogos Vorazes: A esperança – Parte 1" 


O anúncio dos vencedores acontecerá no dia 11 de janeiro de 2015.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Os indicados ao Screen Actor Guild 2014, o prêmio do Sindicato dos Atores norte-americanos que elege os melhores do anos:




ELENCO
Birdman
Boyhood - Da Infância à Juventude
O Grande Hotel Budapeste
O Jogo da Imitação
A Teoria de Tudo

ATRIZ PRINCIPAL
Jennifer Aniston - Cake
Felicity Jones - A Teoria de Tudo
Julianne Moore - Still Alice
Rosamund Pike - Garota Exemplar
Reese Witherspoon - Livre

ATOR PRINCIPAL
Steve Carell - Foxcatcher
Benedict Cumberbatch - O Jogo da Imitação
Jake Gyllenhaal - O Abutre
Michael Keaton - Birdman
Eddie Redmayne - A Teoria de Tudo

ATRIZ COADJUVANTE
Patricia Arquette - Boyhood
Keira Knightley - O Jogo da Imitação
Emma Stone - Birdman
Meryl Streep - Caminhos da Floresta
Naomi Watts - St. Vicent

ATOR COADJUVANTE
Robert Duvall - O Juiz
Ethan Hawke - Boyhood
Edward Norton - Birdman
Mark Ruffalo - Foxcatcher
J.K. Simmons - Whiplash


As análises sobre as indicações, que fazem parte da temporada de premiação pré-Oscar, sempre interessante para os fãs que curtem a disputa - que é quase uma Copa do Mundo do cinema - estão feitas pelo site TERMÔMETRO DO OSCAR.

A briga pelo prêmio de melhor filme do ano nos EUA continua apresentando um claro favorito na categoria principal: BOYHOOD - DA INFÂNCIA À JUVENTUDE foi escolhido o preferido nas associações dos críticos de Los Angeles, Boston e Washington. O diretor do filme, Richard Linklater, também foi eleito o melhor nas três guildas. Já nos prêmios de atuação não há unanimidade: Tom Hardy (Locke) e Michael Keaton (Birdman) fcaram com os prêmios principais para os atores masculinos; enquanto Julianne Moore (Still Alice), Marion Cottillard (Dois Dias, Uma Noite) e Patricia Arquette (Boyhood) ficaram os prêmios de atuação feminina; Patricia foi lembrada novamente na categoria de atriz coadjuvante, junto com Emma Stone (Birdman) e a polonesa Agata Kuleszka (Ida). O ator J.K. Simmons, de Whiplash, ficou com o prêmio de ator coadjuvante do ano nas três seleções.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014



Os dez melhores filmes do ano (em ordem alfabética) para o American Film Institute:


Sniper Americano
("American Sniper", dirigido por Clint Eastwood)

Homem-Pássaro
("Birdman", dirigido por Alejandro González Iñárritu)

Boyhood - Da Infância à Juventude
("Boyhood", dirigido por Richard Linklater)

Foxcatcher - A História Que Chocou o Mundo
("Foxcatcher", dirigido por Bennett Miller)

O Jogo da Imitação
("The Imitation Game", dirigido por Morten Tyldum)

("Interstellar", dirigido por Christopher Nolan)

Caminhos da Floresta
("Into the Wood", dirigido por Rob Marshall)

O Abutre
("Nightcrawler", dirigido por Dan Gilroy)

Selma
("Selma", dirigido por Ava DuVernay)

Invencível
("Unbroken", dirigido por Angelina Jolie)

Whiplash - Em Busca da Perfeição
("Whiplash", dirigido por Damien Chazelle)


sábado, 6 de dezembro de 2014

Nos EUA, a Associação dos Críticos de Nova York já havia premiado BOYHOOD - DA INFÂNCIA À JUVENTUDE (de Richard Linklater) como o melhor filme do ano, enquanto a National Board of Review escolheu A MOST VIOLENT YEAR (de J.C. Chandor). Agora é a vez da Associação dos Críticos de Boston embaralhar ainda mais a 'brincadeira': para eles, SNOWPIERCER, primeiro filme americano do diretor sul-coreano Joon-Ho Bong é o melhor de 2014. 

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

A National Board of Review, uma das mais antigas e prestigiadas associações de críticos de cinema nos Estados Unidos, anunciou sua tradicional lista de melhores filmes do ano, como já faz desde a década de 30.

O filme A MOST VIOLENT YEAR, do diretor J.C. Chandor (de "Margin Call" e "Até o Fim"), foi eleito o melhor filme do ano. O filme se passa em Nova York e mostra um casal de imigrantes vividos por Oscar Isaac e Jessica Chastain, que tentam prosperar nos negócios mas esbarram no poder paralelo que controla a cidade naquele período. Os dois atores ainda foram eleitos nas categorias de ator principal e atriz coadjuvante. 



Filme:  A Most Violent Year
Diretor:  Clint Eastwood – American Sniper
Ator:  Oscar Isaac – A Most Violent Year e Michael Keaton – Birdman
Atriz: Julianne Moore – Still Alice
Ator Coadjuvante:  Edward Norton – Birdman
Atriz Coadjuvante:  Jessica Chastain – A Most Violent Year
Roteiro Original:  Phil Lord & Christopher Miller – The Lego Movie
Roteiro Adaptado:  Paul Thomas Anderson – Inherent Vice
Animação:  How to Train Your Dragon 2
Filme Estrangeiro:  Wild Tales
Documentário:  Life Itself
Elenco:  Fury

A lista completa dos melhores do ano em todas as categorias e o #top10 está disponível no site oficial da associação.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Para os críticos da revista Sight and Sound, o americano BOYHOOD - DA INFÂNCIA À JUVENTUDE de Richard Linklater é o melhor filme do ano. A listagem completa dos #melhoresde2014 tem ainda os novos filmes de Jean-Luc Godard (França), Andrey Zvyagintsev (Rússia), Pedro Costa (Portugal) e Jonathan Glazer (Inglaterra) no #top5. 

Os #melhoresde2014 para a revista Cahiers du Cinèma:



sábado, 4 de janeiro de 2014

Para um post cheio de pretensões quanto esse, é preciso fazer um mea culpa, por minha completa resignação em fazer uma publicação dessa. E isso talvez explique o porque dos tops que publico desde 2004 (dá uma olhada aqui) não terem sido divulgados em 2011 e 2012. Tenho problemas com listas de preferências (sou daqueles que tem dificuldade em escolher a comida favorita ou em fazer classificação de pratos e restaurantes). Passado toda essa lamúria esse blablablá, o TOP 10 [2013] resume esse sentimento: isso aqui é apenas uma lista de preferências dentre os filmes que estrearam em 2013 no mercado comercial do país. São filmes e pessoas que de certa forma marcaram bem mais o coração do que a cabeça (se é que isso é realmente indissociável). 

Eis, então, o meu TOP 10 do cinema de 2013*:


FILME


2 - Django Livre, de Quentin Tarantino
3 - Anna Karenina, de Joe Wright
4 - Antes da Meia Noite, de Richard Linklater
5 - Amor, de Michael Haneke
6 - Amor Pleno, de Terrence Malick
7 - Jovem e Bela, de François Ozon
8 - A Espuma dos Dias, de Michel Gondry
9 - Azul é a Cor Mais Quente, de Abdellatif Kechiche
10 - Tabu, de Miguel Gomes


DIRETOR


2 - Quentin Tarantino, por Django Livre
3 - Joe Wright, por Anna Karenina
4 - Terrence Malick, por Amor Pleno
5 - Richard Linklater, por Antes da Meia Noite


ATOR


2 - Samuel L. Jackson, como o mordomo Stephen por Django Livre
3 - Daniel Day-Lewis, como Abraham Lincoln por Lincoln
4 - Christoph Waltzcomo o Dr. King Schultz por Django Livre
5 - Joaquin Phoenix, como Freddie Quell por O Mestre


ATRIZ


2 - Emmanuelle Riva, como Anne por Amor
3 - Juliette Binoche,  como a escultora Camille Claudel por Camille Claudel 1915
4 - Adèle Exarchopoulos, como Adèle por Azul é a Cor Mais Quente
5 - Sandra Bullockcomo a astronauta Ryan Stone por Gravidade


ROTEIRO


2 - Quentin Tarantino, por Django Livre
3 - Michael Haneke, por Amor
4 - François Ozon, por Jovem e Bela
5 - Abdellatif Kechiche, por Azul é a Cor Mais Quente



*Como em anos anteriores, a lista de preferidos é condensada: não há divisão nas categorias de atuação (principais/coadjuvantes) nem entre os roteiros (originais/adaptados).

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

To The Wonder

O sempre reflexivo Terrence Malick parece ter gostado da busca pela representação da subjetividade no cinema através das imagens fugidias. Após o cultuado A ÁRVORE DA VIDA, vencedor da Palma de Ouro em Cannes há dois anos, um retrato belíssimo sobre os acontecimentos da vida que cercam o homem e seu entorno, ele retoma o olhar apurado para o espaço existente entre o homem e a natureza, se afastando da grandiloquência e apostando em uma discussão mais intimista que parece ser uma extensão do assunto apenas tangenciado no filme anterior: a existência de relacionamentos incondicionais desprovidos de qualquer razão, do qual muito pouco se pode explicar – como a origem da vida.

Entre Paris e Oklahoma, Ben AffleckRachel McAdams e Olga Kurylenko vivem um triângulo amoroso impregnado de incertezas, cuja permissão parte dos próprios e é originada pela dificuldade intrínseca ao homem de se comunicar. O discurso sobre aceitar a incondicionalidade do sentir diante daquilo que não se pode provar logicamente – nem sempre o que se diz é o que se quer dizer –, ressoa nos dilemas do personagem vivido por Javier Bardem, um padre que questiona a existência de Deus e a ligação Dele com o homem – talvez por esperar por aquilo que não se concretize (bem semelhante ao ato de se relacionar romanticamente). A consequência é uma crise existencial que Malick prefere contemplar e, com os pouquíssimos diálogos e uma lacônica narração em off, apresentar através dos planos abertos sobre a paisagem a presença de algum personagem de braços estendidos, movimento de diretor e personagem em uma busca de respostas – em um filme sobre a incomunicabilidade entre pessoas, o diretor aposta em um elenco mudo e incrivelmente gestual e os poucos diálogos são falados em quatro idiomas diferentes.

O arranjo espacial e o cromático que envolve a paisagem natural, passando pela arquitetura dos cenários e até as vestimentas e os acessórios utilizados pelos atores, apresentam algumas dicotomias interessantíssimas para serem analisadas mais profundamente – até por que devem significar mais do que meras escolhas de oposição de personagens (em especiais as que envolvem os dois polos femininos da trama). As escolhas do cinema de Malick caminham outra vez para unir forma e conteúdo e a difícil comunicação entre personagens transpassa para a própria narrativa do filme, que mesmo sem um argumento tão filosófico (ou 'difícil') quanto o antecessor, aposta de forma pesada nesse cinema fugidio – e talvez essa seja a grande questão do filme e o motivo de ter dividido tanto a opinião da crítica desde sua estreia: a subjetividade impressa é resultado de um modo de fazer cinema cada vez mais autoral (‘o jeito Malick de filmar’) ou uma extensão piedosa e preguiçosa de um sucesso retumbante?
De qualquer forma, é difícil não enxergar na obra a poesia das sublimes imagens vistas nesse processo de subjetivação do cinema e encarar seu autor, Malick, como um pintor impressionista do século XIX que se afasta do realismo e transforma seu cinema em uma degustação para olhos e alma.
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Para ver: AMOR PLENO (To The Wonder, 2012, de Terrence Malick). Com Ben Affleck, Olga Kurylenko, Rachel McAdams, Javier Bardem.
Cotação:4estrelas   



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AMOR PLENO está em cartaz no Cine Jardins