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segunda-feira, 14 de abril de 2014

Fazia bastante tempo que o mais tradicional dos produtos da Disney (as fábulas de princesa) não despertava tanto interesse e elogios quanto Frozen: Uma Aventura Congelante. E todas as boas críticas são merecidas: baseado no conto A Rainha da Neve de Hans Christian Andersen, o filme tem ótimas cancões inseridas numa narrativa muito eficiente, em que apresenta duas princesas órfãs às vésperas da coroação da irmã mais velha, uma pseudo-vilã, cuja construção da personagem salta aos olhos (ela não é totalmente boa, mas as 'maldades' também não são, de certa forma, propositais). Os diretores Chris BuckJennifer Lee fogem do lugar-comum com os bichos falantes dos filmes Disney e apostam numa tática-Pixar: um encantador boneco de neve falante, cuja existência se apresenta totalmente explicada pelo contexto da narrativa. No lançamento brasileiro, destaque para as boas transposições das músicas originais e pela dublagem de Fábio Porchat como Olaf, o divertidíssimo boneco de neve. O filme ganhou o Oscar de Melhor Filme de Animação, Melhor Canção e se tornou a maior bilheteria mundial para um filme de animação na história do cinema - a 9ª entre todos os filmes. 

Para ver: FROZEN - UMA AVENTURA CONGELANTE  (Frozen, 2013, de Jennifer Lee). Com as vozes de Idina Menzel, Kristen Bell e Jonathan Groff.
Cotação:
 

quinta-feira, 10 de abril de 2014

sábado, 15 de março de 2014

ERNEST E CELESTINE. Essa animação francesa, uma pequena joia feita na contracorrente daquilo que o cinema norte-americano costuma produzir, acabou finalista do Oscar de Melhor Animação em 2014. Tem uma concepção visual belíssima, apoiada nas composições estéticas e visuais das pinturas impressionistas do século XIX (de volumes completamente bidimensionais, sem contornos nítidos e com lindos efeitos de luz e sombra a partir da utilização das cores). Tal escolha não se dá ao acaso, já que a forma serve ao conteúdo, que tem por objetivo celebrar um dos sentimentos mais nobres: a amizade constituída entre seres de morfologia e valores extremamente opostos - uma ratinha e um urso. Nesse universo delicado e imerso em emoções genuinamente humanas, os dois se encontram e da amizade proibida entre as raças, surge uma grande história a ser contada. Daqueles filmes doces e divertidos, pra ficar com sorriso no rosto depois de assisti-lo.

Para ver: ERNEST E CELESTINE (Ernest et Célestine 2013, de Stéphane Aubier e Vincent Patar). Com  as vozes de Lambert Wilson E Pauline Brunner
Cotação: 

segunda-feira, 3 de março de 2014

 Oscar 2014, a tônica. A cerimônia "dos selfies", "da pizza", "do Twitter" ou "da Samsung". Vai ser assim que lembraremos dessa festa do Oscar no futuro. Badalados astros e estrelas reunidos a uma apresentadora preocupada em fazer história se arriscando em 'forjados' atos de espontaneidade e improvisação. E funcionou muito bem: 3 milhões de retwittes na foto #selfie mais icônica já feita até hoje (que reuniu um time cheio de oscarizáveis) e audiência de 43 milhões de pessoas somente nos EUA, o maior nos últimos 10 anos. 

Os vencedores? Nenhuma surpresa. Os favoritos que o GoldDerby já havia listado aqui, confirmaram seus prêmios: Melhor filme para 12 ANOS DE ESCRAVIDÃO, Alfonso Cuarón o melhor diretor, Cate Blanchett e Matthew McConaughey os melhores atores principais e Lupita Nyong'o e Jared Leto os coadjuvantes. GRAVIDADE entra pra lista dos maiores vitoriosos, com 7 estatuetas, e TRAPAÇA ficou a ver navios, saindo sem nenhum troféu (mas a gente sabe que mais dia ou menos dia, David O. Russell vai fazer um 'hat trick' qualquer no Oscar, a gente só espera que seja com um filme bem melhor que os últimos que conseguiu emplacar). 

Mas fica a lembrança de um prêmio que se não soube equilibrar seus momentos (para cada Brad Pitt abocanhando um pedaço de pizza; ou de Pharrell Williams colocando Meryl Streep e Amy Adams pra dançar, ainda tivemos alguns chatíssimos números musicais em excesso, como os de Pink e Bette Midler), soube celebrar o cinema com menos ranço e mais leveza.


(frente e verso de um dos momentos mais marcantes do Oscar)


Pra quem já quer começar a brincar para o próximo ano, a disputa começa do Oscar 2015 começa a ser ensaiada desde já: Clint Eastwood, Wes Anderson, Michael Fassbender, Joaquin Phoenix, Nicole Kidman, Michelle Williams, Meryl Streep, Ridley Scott e Christopher Nolan já são promessas que o Spoiler Movies e Hollywood Report colocam no cenário. 

sábado, 1 de março de 2014

OSCAR 2014, apostas. Para entrar no clima da brincadeira, cinéfilo que se preze está com listinha de apostas em mãos. A minha, que está participando do bolão lá no AwardsDaily, tá aqui. 


Best PictureGravity
Best DirectorAlfonso Cuaron, Gravity
Best ActorLeonardo DiCaprio, The Wolf of Wall Street
Best ActressCate Blanchett, Blue Jasmine
Best Supporting ActorJared Leto, Dallas Buyers Club
Best Supporting ActressLupita Nyong'o, 12 Years a Slave
Original ScreenplayAmerican Hustle
Adapted Screenplay12 Years a Slave
Best Animated FeatureFrozen
Best Foreign FilmThe Great Beauty
Documentary FeatureThe Act of Killing
Best Production DesignThe Great Gatsby
Best CinematographyGravity
Best Costume DesignThe Great Gatsby
Best EditingGravity
Best Makeup and HairDallas Buyers Club
Best ScoreGravity
Best SongLet it Go (Frozen)
Best Sound EditingGravity
Best Sound MixingGravity
Best Visual EffectsGravity
Best Animated ShortGet a Horse
Documentary ShortFacing Fear
Best Live Action ShortThe Voorman Problem


No domingo a noite volto aqui pra conferir a lista e comentar um pouquinho da festa (que a gente espera que seja, no mínimo, divertida!).
Oscar 2014. Do Awards Daily.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

OSCAR 2014, véspera. Nessa reta final para a premiação, alguns experts no prêmio já deram seu parecer para essa disputa que parece ser a mais divida e incerta dos últimos anos. Lá no GoldDerby, que reúne trinta críticos de cinema e conhecedores do assunto, o placar ficou assim:


FILME
12 Anos de Escravidão 65%
 Gravidade 25%
Trapaça 2%

DIRETOR
Alfonso Cuarón 93%
Steve McQueen 3%
David O. Russel 2%

ATOR
Matthew McConaughey 90%
Leonardo DiCaprio 5%
Chiwetel Ejiofor 3%

ATRIZ
Cate Blanchett 93%
Amy Adams 3%
Sandra Bullock 2%

ATOR COADJUVANTE
Jared Leto 93%
Michael Fassbender 3%
Barkhad Abdi 2%

ATRIZ COADJUVANTE
Lupita Nyong'o 84%
Jennifer Lawrence 12%
June Squibb 2%

ROTEIRO ORIGINAL
Trapaça 51%
Ela 45%

ROTEIRO ADAPTADO
12 Anos de Escravidão 90%
Philomena 5%


Aqui no Brasil, a jornalista Ana Maria Bahiana traçou sua visão aqui. E o amigo Chico Fireman, do Filmes do Chico/UOL, analisou aqui de modo bastante interessante o panorama montado nessa reta final, com a disputa em aberto na maioria das categorias, reforçando a visão mostrando a disputa nos anos anteriores. 

Já o Awards Daily, provavelmente o maior site que se debruça em cima do prêmio, desde a antecipação dos filmes até a premiação final, cobrindo a temporada anualmente, faz algumas simulações interessantes. No dia 25 de Fevereiro, um dos colaboradores do site, Marshall Flores, definiu alguns favoritos diferente do que rola por aí, cravando GRAVIDADE melhor filme, Jennifer Lawrence melhor atriz coadjuvante e CAPITÃO PHILLIPS melhor roteiro adaptado. Hoje, em uma simulação caprichada das rodadas de apuração de votos, Ryan Adams crava praticamente um empate na categoria principal, mostrando o equilíbrio entre os favoritos:


Domingo, dia 02 de Março, às 23h (horário de Brasília), a cerimônia terá início sob apresentação de Ellen DeGeneres, revelando os vitoriosos do ano.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Meus preferidos da lista da Academia para a categoria de Melhor Filme no Oscar 2014: GRAVIDADE ~ O LOBO DE WALL STREET ~ ELA ~ 12 ANOS DE ESCRAVIDÃO ~ NEBRASKA CAPITÃO PHILLIPS ~ PHILOMENA ~ TRAPAÇA ~ CLUBE DE COMPRAS DALLAS

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Com TRAPAÇA, o diretor David O. Russell constrói um universo fake e exagerado, cujo plot não dá pra se levar muito a sério (trata-se de uma grande brincadeira, sem qualquer conteúdo mais denso, que envolve os percalços de um casal de agiotas recrutados por um agente do FBI para desvendar as operações ilícitas de um mafioso). Dizem por aí que é uma 'homenagem' ao cinema norte-americano dos anos 70, o que fez do filme figurar na maioria das listas de melhores do ano (a maioria das indicações são um grande exagero, provavelmente pelo respeito que o diretor vem adquirindo junto à crítica hollywoodiana nos últimos anos). É uma comédia cheia de farsas, permeada de pequenas delícias: a trilha sonora com canções dos anos 60 e 70; algumas cenas memoráveis (especialmente as que envolvem as atrizes); Amy Adams e Jennifer Lawrence esplendorosas brigando por um homem barrigudo e feioso (o fraquíssimo Christian Bale); e uma sequência sensacional ao som de Live and Let Die, de Paul McCartney.

Para ver: TRAPAÇA (American Hustle, 2013, de David O. Russell). Com Christian Bale, Amy Adams, Jennifer Lawrence, Bradley Cooper, Jeremy Renner.
Cotação: 

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Além das competentes atuações de Matthew McConaughey e Jared Leto, nada vai muito além do "ok, próximo" para CLUBE DE COMPRAS DALLAS - por vezes bastante irritante em sua tentativa de dar fôlego a seu argumento. É uma narrativa burocrata sobre um cidadão americano que, nos anos 80 e no auge do surto de transmissão do vírus da AIDS, diante dos tratamentos ineficazes utilizados pelo sistema de saúde dos Estados Unidos, decide buscar ele mesmo novas fontes de tratamento junto às pesquisas acadêmicas e distribuir a droga para outros portadores do HIV. Obviamente que o protagonista vai provar para o país inteiro que ele estava certo em relação aos novos medicamentos, muito mais eficientes, salvando a nação. 

Para ver: CLUBE DE COMPRAS DALLAS (Dallas Buyers Club, 2013, de Jean-Marc Vallée). Com Matthew McConaughey, Jared Leto, Jennifer Garner, Denis O'Hare, Steve Zahn. 
Cotação: 

sábado, 22 de fevereiro de 2014


O diretor britânico Steven McQueen (do sensacional SHAME, de dois anos atrás) escreve seu nome no cinema norte-americano tocando em uma das maiores feridas da história dos Estados Unidos: a escravidão negra. Baseado em fato real, a narrativa acompanha doze anos da vida de Solomon Northup (o ótimo Chiwetel Ejiofor, na disputa do Oscar de Ator do ano) durante o século XIX. De negro liberto, com família constituída e trabalho nobre, Solomon é sequestrado e vendido como escravo para trabalhar nas fazendas de algodão do sul escravagista. 

McQueen usa o ótimo roteiro de John Ridley para escancarar os maus tratos e a aflição sofrida pelos negros durante aquele período e, talvez inspirado pelo classicismo da época, constrói seu cinema da mesma forma: grandes paisagens naturais, grandes cenários de edificações com interiores minuciosamente decorados, papéis fortes, densos, com (quase) a mesma complexidade vista em seu filme anterior, e incrivelmente bem atuados em cenas marcantes.

Colocando 12 ANOS DE ESCRAVIDÃO no mesmo patamar que GRAVIDADE (já que estes parecem ser os filmes de 2013 para o cinema norte-americano), o filme de Steve McQueen ganha a disputa pela pertinência moral, social e histórica de sua obra, mas perde em todas as outras. É um belíssimo registro de uma época que merece ser lembrada para nunca mais ser repetida - filmado em belas cenas mas mantido à certa distância pelo diretor. Talvez falte um pouco mais de alma ou coração (como os que surgem das lágrimas de Lupita Nyong'o ao tronco e da tocante cena final) para tirar da obra certo gosto insípido que fica após sua exibição.
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Para ver: 12 ANOS DE ESCRAVIDÃO (Twelve Years a Slave, 2013, de Steve McQueen). Chiwetel EjioforMichael K. WilliamsMichael FassbenderBrad Pitt, Quvenzhané Wallis, Adepero Oduye, Benedict Cumberbatch, Paul Dano, Sarah Paulson, Lupita Nyong'o
Cotação: 


quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014


PHILOMENA aposta na ciclicidade da história do bebê roubado da personagem título, vivida por Judi Dench, como dorso principal de sua narrativa, o que ajuda a legitimar a história real, que se contada com bem menos cuidado do que o diretor Stephen Frears trata, certamente cairia em um dramalhão. Vejamos: jovem freira transa com um cara numa noite e engravida; as irmãs do Convento tiram o filho de seu convívio, o menino é adotado por uma família de outro país, e depois de 50 anos a mãe, junto a um jornalista decadente, inicia a busca pelo garoto, e descobre que ele se tornou importante figura política, ao mesmo tempo que manteve às escuras um sólido relacionamento homossexual, findado por conta de sua morte prematura, após adquirir o vírus da AIDS. O diretor inglês aposta firme em seus atores e a direção caminha estabelecendo um laço forte entre eles e se apoiando em ambos, mas sem exagerar nos sentimentalismos ou nos posicionamentos clichês, o que engrandece bastante a trama, tratando o assunto com impressionante sobriedade.
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Para ver: PHILOMENA (idem, 2013, de Stephen Frears). Judi DenchSteve CooganSophie Kennedy ClarkMare Winningham
Cotação: 


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

ELA provavelmente é um daqueles filmes que detém potencial e qualidades para se tornar um referencial da história da sétima arte ou um exemplar extremamente representativo de sua época. É a reinvenção do cinema clássico em uma narrativa incrivelmente contemporânea (sob essa ótica, se encaixa no mesmo padrão de "A Rede Social", de David Fincher). Joaquin Phoenix encara um difícil personagem que se apaixona e vive um relacionamento com um programa de computador inteligente, uma espécie de secretária pessoal informatizada, capaz de controlar tudo em poucos segundos - além de se relacionar incrivelmente bem com seu proprietário. Samantha, a mente inteligente, é loquaz, doce, sensível e um bocado humanizada, que ganha vida na soberba voz de Scarlett Johansson (que nunca tem um rosto em todo o filme). O encontro entre os dois beira o sublime pela honestidade dos sentimentos, e o filme toca em questionamentos realmente fortes sobre os relacionamentos dos dias hoje e sobre sentir-se sozinho em meio ao mundo e ao caos diário. Em alguns momentos, há uma tentativa desnecessária de paralelizar a situação com um espelho de outro relacionamento "normal" que degringolou do dia pra noite (na pouco aproveitada personagem de Amy Adams), o que tira o brilho pleno do enredo de Spike Jonze, mas que merece ser minimizado diante das virtudes apresentadas pelo roteirista e diretor.
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Para ver: ELA (Her, 2013, de Spike Jonze). Com Joaquin Phoenix, Scarlett Johansson, Olívia Wilde, Rooney Mara, Amy Adams, Chris Pratt. 
Cotação: 


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ELA está em cartaz nos cinemas a partir de sexta, 14 de fevereiro.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

OSCAR 2014, os indicados. Foi revelado ontem pela Academia de Artes e Ciências de Hollywood, os indicados do ano para o OSCAR, a maior premiação do cinema norte-americano, e mais famosa ao redor do globo. Como já destacavam as nomeações para prêmios anteriores, TRAPAÇA e GRAVIDADE, com dez indicações ao todo, e 12 ANOS DE ESCRAVIDÃO, com nove, saíram na frente na disputa. NEBRASKACLUBE DE COMPRAS DALLAS e CAPITÃO PHILLIPS, também indicados na categoria principal da noite, receberam seis indicações; O LOBO DE WALL STREET e ELA, cinco; e FILOMENA, que completa a lista principal, obteve quatro.

 oscar2014

Entre as personalidades, destaque para Martin Scorsese, diretor de O LOBO DE WALL STREET, que recebeu sua 11ª indicação (a 8ª como diretor, categoria que venceu com OS INFILTRADOS, em 2006); Meryl Streep, que com sua atuação em ÁLBUM DE FAMÍLIA obteve a 18ª em toda a história do prêmio (um recorde entre os atores); Woody Allen, que recebeu sua 24ª indicação, dessa vez pelo roteiro de BLUE JASMINE; John Williams, possivelmente o mais famoso músico de trilhas incidentais, que obteve sua 48ª indicação, dessa vez pelo filme A GAROTA QUE ROUBAVA LIVROS; e Jennifer Lawrence, atual detentora do troféu de melhor atriz, que volta a disputa como coadjuvante (com grandes possibilidades de vitória), que com essa indicação se tornou a atriz mais jovem (23 anos) a receber mais indicações (essa foi sua terceira).

Grandes nomes do cinema estão de volta à disputa, como Leonardo DiCaprioJulia RobertsSandra BullockJudi DenchCate BlanchettAmy Adams e Christian Bale. E um grande grupo de novatos no prêmio (desconhecidos e conhecidos da meca do cinema), como Barkhad Abdi, Chiwetel EjioforMatthew McConaugheyMichael FassbenderJared LetoSally HawkinsJune Squibb e Lupita Nyong'o, marcam uma possível renovação no quadro da Academia, já que representam cerca de 50% entre as atuações.

A listagem completa de todas as categorias está disponível no site oficial da premiação. E apesar de cada categoria ter seus favoritos, não há ninguém cravado: as disputas estão polarizadas e, em alguns casos, até três nomeados estão sendo considerados como vencedores, o que deixa a briga em aberto e espaço para possíveis surpresas (que tem faltado bastante nas últimas festas do OSCAR). O prêmio será entregue no dia 02 de Março, domingo de Carnaval.

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Para os interessados em acompanhar a festa da melhor maneira (assistindo a todos os indicados, obviamente), é bom ficar de olho: GRAVIDADE e CAPITÃO PHILLIPS já passaram pelos cinemas e estão disponíveis em DVD; O LOBO DE WALL STREET já está em cartaz em Vitória; TRAPAÇA e FILOMENA estão previstos para 7 de fevereiro; ELA e CLUBE DE COMPRAS DALLAS, para os dias 14 e 21 do mesmo mês, respectivamente; 12 ANOS DE ESCRAVIDÃO para 28 de fevereiro; e NEBRASKA ainda não tem data confirmada.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013


Jasmine abandona Manhattan pelo subúrbio de San Francisco, onde passa a viver com a irmã, nitidamente menos abastada que ela, o namorado grosseirão e os sobrinhos pouco educados. A derrocada veio após uma série de incidentes em sua vida glamourosa: a prisão do marido fraudador, a perda dos bens e fortuna, a descoberta das inúmeras amantes do esposo - que frequentaram sua mansão ao longo dos anos -, e o filho que abandona Harvard e foge sem notícias após a confusão armada. Jasmine, nascida Jeanette, filha de pais adotivos, largou a faculdade de antropologia no momento em que conheceu seu marido. Frívola, fútil, mesquinha, interesseira e esnobe são alguns de seus adjetivos, desvendados em uma série de flashbacks que atravessam seu momento atual. Apaixonada pela canção ‘Blue Moon’, representação de sua elocubrada vida de sonhos, a blue Jasmine desce ao inferno e fica à beira de um colapso nervoso, que a transforma.

Blue Jasmine

Com BLUE JASMINE, revisitando um dos maiores clássicos do teatro e do cinema norte-americano (Um Bonde Chamado Desejo/Uma Rua Chamada Pecado), o mais verborrágico dos cineastas da história do cinema, o mestre Woody Allen, surpreende outra vez pela capacidade de simplificar a narrativa que faz nascer uma das personagens mais fortes que o diretor e roteirista construiu ao longo de quase cinco décadas de trabalho. Cate Blanchett, a protagonista, em nada deve à atuação de Vivien Leigh (de UMA RUA CHAMADA PECADO), que é facilmente uma das melhores da história do cinema: ela carrega um olhar aterrador, capaz de transmitir desprezo ou transfigurar seu próprio transtorno, dando à Blanchett a possibilidade de atuar de uma ponta a outra do comportamento humano.

É a soberania e inteligência de um cineasta que, em aparente acaso (Woody faz questão de deixar claro que filmar é um exercício delicioso, desde que ele possa atravessar a rua e dormir em sua cama após um dia de filmagens) faz seu filme nascer na sala de montagem, de posse da magnitude das imagens que carrega debaixo do braço após o período em que ‘brincou’ de encenar a vida real... uma daquelas coisas que só o cinema é capaz de fazer. Lindo, lindo. 
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Para ver: BLUE JASMINE (idem, 2013, de Woody Allen). Com Cate Blanchett, Sally Hawkins, Alec Baldwin.
Cotação:
  

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BLUE JASMINE está em cartaz no Cine Jardins

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

A essa altura, não dá pra ficar de fora do hype que envolve GRAVIDADE ao redor do mundo: o filme que recebeu as melhores e mais empolgantes criticas se confirma diante de um público que assiste angustiado a saga da astronauta Ryan Stone, que após um acidente espacial vaga pelo espaço em busca de qualquer porto-seguro. É um filme estupendo, praticamente irretocável, e não é difícil de imaginar que em muito pouco tempo passará a figurar na lista dos grandes títulos que já fazem parte da história do cinema e da arte.

Da mesma forma que também seja bastante pouco provável que qualquer análise dê fim às multiplicas questões inerentes à complexidade temática e complexidade de imagens que o filme dirigido pelo mexicano Alfonso Cuarón propõe. Sinteticamente, ao lançar a protagonista - vivida por uma impressionante Sandra Bullock – no vazio do espaço, a 600km de distância do nosso planeta, em condições muito particulares do ambiente ao redor, o diretor propõe uma espécie de “minimização do conjunto cenográfico” para ampliar a dramatização dos dilemas existenciais da personagem, que de certa forma ressoa no espectador que, angustiado, assiste a tentativa de sobrevivência da mulher (e, afinal de contas, o que fazemos todos os dias, mesmo na segurança da poltrona e de frente à TV, senão nos mantermos vivos?). Pungente e visceral, GRAVIDADE não deixa saídas e flerta com o espectador de todas as formas possíveis e no tom exato – fazendo uma brincadeira com outra arte, não dá pra sair do cinema acreditando na veemência da cabal “Menos é Mais” que Mies Van Der Rohe, um dos cânones da arquitetura mundial, sugeriu como forma de ampliar o sentido da coisa em uma forma, digamos, menos ‘arrojada’, mais ‘limpa’. Os mais interessados pelo processo de execução, certamente vão se perguntar como Cuarón lida com os inúmeros artefatos de filmar (imagens apaixonantes do espaço, máquinas e estações espaciais ultra-tecnológicas, e personagens que bailam no ar) e ainda encontra o tom absurdamente humano de sua história.

Gravidade

Mas mais que tudo isso (me parece ser uma suposição possível e justificável neste momento), o que transfere à GRAVIDADE o status de poder figurar num hall de grandes filmes de história, é justamente uma possível conexão que ele estabelece com outro exemplar de referência histórica: 2001, UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO, de Stanley Kubrick. Certamente um dos filmes mais enigmáticos já feitos, o clássico de 1968 encerrava com um dos planos mais reconhecidos no cinema e, provavelmente, um cujo sentido seja o menos óbvio que possa parecer: o bebê envolto na "placenta". Além das claras motivações da astronauta Ryan Stone (não há como citar alguns spoilers a partir daqui), cuja vida ganhou/perdeu contornos com vida/morte de sua filhinha, Cuarón permeia o filme de pequenos e grandes símbolos a essa fase da vida (a brincadeira com os latidos de cachorro, típica de criança; o bebê que o chinês cuida enquanto Ryan tenta estabelecer contato – que não por acaso vem do local mais populoso da Terra) e na transcrição do ciclo da posição fetal que Sandra Bullock permanece ao adentrar, pela primeira vez, em um ambiente seguro após os inúmeros incidentes na evasão do espaço. Um daqueles filmes gradiosos que o cinema produz.


GRAVIDADE
(Gravity, EUA/2013, de Alfonso Cuarón)
Cotação: