Os próximos filmes de Penélope Cruz: MA MA, de Julio Medem; e LA REINA DE ESPAÑA, de Fernando Trueba.
domingo, 6 de abril de 2014
quarta-feira, 2 de abril de 2014
300: A ASCENSÃO DO IMPÉRIO foge das duas fórmulas mais conhecidas para se fazer uma continuação de um blockbusters hollywoodiano: as narrativas que simplesmente dão prosseguimento aos fatos apresentados no filme original; e as que mostram eventos anteriores aos fatos originalmente filmados, chamadas de prequel. Essa sequência do filme de 2006 tem sua história situada paralela aos acontecimentos do filme de Zack Snyder e a interligação com a trama original, mesmo que passando raspando na maior parte dos momentos, estabelece certa conexão que funciona (não traz elementos que prejudicam a lembrança do original, nem deixam barrigas para essa sequência). A presença de Zack como colaborador do roteiro e produtor pode explicar isso.
A direção cabe ao novato Noam Murro, e a piada-pronta com o exagero dos abdomens super trabalhados também cedo espaço aos efeitos visuais que agora se apoiam ainda mais na exacerbação da violência: longos closes e slow motions de cortes, decapitações e sangue voando nos quatro cantos da tela. Braços, pernas e cabeças se soltam dos corpos em câmera lenta, que fazem do filme um tipo de cinema que busca o asco a todo instante - precisa ter estômago para encarar. Fora isso, a trama que envolve a batalha entre gregos (agora atenienses, liderador por Temístocles, interpretado pelo ator Sullivan Stapleton) e persas ganha a presença de uma personagem feminina, Artemísia (Eva Green), que mesmo com a vilania assumida, tem um passado cheio de argumentos forçados, deixando o filme carente de assumir uma posição entre os dois lados batalha na primeira metade da trama.
Para ver: 300: A ASCENSÃO DO IMPÉRIO (300: Rise of an Empire, 2014, de Noam Murro). Com Sullivan Stapleton, Eva Green, Lena Headey, Rodrigo Santoro.
quarta-feira, 26 de março de 2014
Cannes 2013, work in progress.
Borgman, de Alex Van Warmerdam
Escudo de Palha, de Takashi Miike
A Grande Beleza, de Paolo Sorrentino
Grisgris, de Mahamat-Saleh Haroun
Heli, de Amat Escalante
O Imigrante, de James Gray
Jimmy P., de Arnaud Desplechin
Michael Kohlhaas, de Arnaud des Pallières
Only Lovers Left Alive, de Jim Jarmusch
Pais e Filhos, de Hirokazu Kore-eda
A Pele de Vênus, de Roman Polanski
Um Castelo na Itália, de Valeria Bruni-Tedeschi
Um Toque de Pecado, de Jia Zhangke
Para ver: INSIDE LLEWYN DAVIS - BALADA DE UM HOMEM COMUM (Inside Llewyn Davis, 2013, de Joel e Ethan Coen). Com Oscar Isaac, Carey Mulligan, John Goodman, Garrett Hedlund, Justin Timberlake.
Madonna vai voltar à cadeira de diretora. Depois da estreia com a comédia ainda inédita nos cinemas e em home vídeo no Brasil, SUJOS E SÁBIOS, feita em 2008; e do drama W.E. - O ROMANCE DO SÉCULO, que despertou maior interesse em 2011, a cantora vai adaptar o romance da escritora Rebecca Walker, ADÉ: A LOVE STORY. A produção será de Bruce Cohen, de O LADO BOM DA VIDA.
sábado, 22 de março de 2014
Curta-metragem, o primeiro passo para o camarada que quer ganhar alguns rolos a mais para entreter sua plateia, é celebrado de diversas formas ao longo do globo. Nessa semana, caiu na rede um curta intitulado LIGHTS OUT, do diretor sueco David F. Sandberg, que venceu o prêmio de melhor diretor em um festival para curtas de filmes terror/suspense que acontece nos Estados Unidos, o BC HORROR CHALLENGE.
O filme, de pouco mais de três minutos, é daqueles de arrepiar a espinha e o desafio é realmente ir dormir sem pensar duas vezes antes de apagar as luzes:
E o mais insano: LIGHTS OUT sequer ficou entre os três primeiros filmes da lista do BC HORROR CHALLENGE. Se você quer dar uma olhada nos outros vencedores, eles estão disponíveis no site oficial do festival. Vale uma conferida!
quinta-feira, 20 de março de 2014
domingo, 16 de março de 2014
O Volume 2 começa sua narrativa exatamente do ponto em que o Volume 1 se findou e leva o espectador até o início da ação desse mesmo volume, que começava com a personagem de Charlotte Gainsbourg subjugada num beco parisiense. Lars oferece um discurso algumas vezes aborrecido e pedante sobre o drama de sua protagonista, com insinuações pretensiosas e desconexas, mas finalmente assume partido sobre aquilo que apresenta (justamente o que faltava no panorama sem rumo do filme inicial), e não me parece vergonhoso que queira defender o direito de sua personagem de entregar-se ao sexo como bem entende - recebendo as pedras da sociedade que a julga todo o tempo. É uma condição que leva a uma escolha e somente esta (e suas ações e consequências) e não aquela, pode ou deve ser questionada. O final do filme, particularmente bastante interessante, justifica todos os momentos vividos por Joe em suas duas partes.
E mesmo com todas as oscilações das narrativas capitulares, o diretor traz para a tela dois momentos grandiosos: a releitura do inesquecível prólogo do excepcional ANTICRISTO, dirigido por ele mesmo em 2009, ao som da ópera Lascia ch'io Pianga (que acredito poder revelar mais que uma analogia simples - lembram que a Charlotte e Dafoe eram simplesmente "ele" e "ela"?); e a regravação de "Hey Joe", que toca nos crédito finais, na voz super sensual da protagonista Charlotte Gainsbourg.
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Para ver: NINFOMANÍACA - VOL. 2 (Nymphomaniac: Vol. II, 2014, de Lars Von Trier). Com Charlotte Gainsbourg, Stellan Skarsgard, Shia LaBeouf, Christian Slater, Willem Dafoe, Jamie Bell.
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NINFOMANÍACA - VOL. 2 está em cartaz no Cine Jardins. Confira os horários.sábado, 15 de março de 2014
ERNEST E CELESTINE. Essa animação francesa, uma pequena joia feita na contracorrente daquilo que o cinema norte-americano costuma produzir, acabou finalista do Oscar de Melhor Animação em 2014. Tem uma concepção visual belíssima, apoiada nas composições estéticas e visuais das pinturas impressionistas do século XIX (de volumes completamente bidimensionais, sem contornos nítidos e com lindos efeitos de luz e sombra a partir da utilização das cores). Tal escolha não se dá ao acaso, já que a forma serve ao conteúdo, que tem por objetivo celebrar um dos sentimentos mais nobres: a amizade constituída entre seres de morfologia e valores extremamente opostos - uma ratinha e um urso. Nesse universo delicado e imerso em emoções genuinamente humanas, os dois se encontram e da amizade proibida entre as raças, surge uma grande história a ser contada. Daqueles filmes doces e divertidos, pra ficar com sorriso no rosto depois de assisti-lo.
Para ver: ERNEST E CELESTINE (Ernest et Célestine 2013, de Stéphane Aubier e Vincent Patar). Com as vozes de Lambert Wilson E Pauline Brunner
sábado, 8 de março de 2014
Nessa refilmagem de ROBOCOP, o diretor brasileiro José Padilha (de Tropa de Elite) faz uma ótima releitura dos ideais do filme de 1987 para os dias atuais. Mesmo mantendo-se no esquema hollywoodiano de filmar e construir as narrativas (de apresentar os problemas sem discuti-los com muito vigor), Padilha consegue politizar a trama e, de certa forma, manter a tríade que sustentava o Tropa (especialmente sua continuação) ao abordar de que forma milícia, polícia e governo caminham juntos quando o assunto é violência social. Como aqui no Brasil, também lá a corrupção está instalada nos órgãos oficiais, e o dinheiro é a causa 'nobre' de tanto caos. Há um "quarto poder" que ronda esse esquema, o papel dos veículos de comunicação ultra-radicais (que cabe ao sempre eficiente Samuel L. Jackson), tratado com muita ironia e sarcasmo por Padilha - que me parece uma grande gozação do diretor, já que não seria estranho arriscar que parte dos norte-americanos não saberão ler nas entrelinhas e levarão a sério cada palavra dita pelo personagem (principalmente quando o assunto é endossado pela política externada 'salvadora' dos Estados Unidos perante o mundo).
Ademais desta grande construção, o filme só falha ao lidar com suas próprias emoções de modo bastante asséptico, principalmente em sua parte inicial - pela pouca capacidade expressiva nas atuações de ator Joel Kinnaman e Abbie Cornish, responsáveis pelo núcleo sentimental da trama - criando um ponto frágil, já que a discussão humanos x robôs é o grande mote que norteia a relação milícia-polícia-governo-imprensa. Encarando de outra forma, porém, não deixa de ser uma grande homenagem ao clássico de Paul Verhoeven (quem se lembra de Peter Weller?).
Ademais desta grande construção, o filme só falha ao lidar com suas próprias emoções de modo bastante asséptico, principalmente em sua parte inicial - pela pouca capacidade expressiva nas atuações de ator Joel Kinnaman e Abbie Cornish, responsáveis pelo núcleo sentimental da trama - criando um ponto frágil, já que a discussão humanos x robôs é o grande mote que norteia a relação milícia-polícia-governo-imprensa. Encarando de outra forma, porém, não deixa de ser uma grande homenagem ao clássico de Paul Verhoeven (quem se lembra de Peter Weller?).
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Para ver: ROBOCOP (idem, 2014, de José Padilha). Com Joel Kinnaman, Gary Oldman, Michael Keaton, Abbie Cornish
segunda-feira, 3 de março de 2014
Oscar 2014, a tônica. A cerimônia "dos selfies", "da pizza", "do Twitter" ou "da Samsung". Vai ser assim que lembraremos dessa festa do Oscar no futuro. Badalados astros e estrelas reunidos a uma apresentadora preocupada em fazer história se arriscando em 'forjados' atos de espontaneidade e improvisação. E funcionou muito bem: 3 milhões de retwittes na foto #selfie mais icônica já feita até hoje (que reuniu um time cheio de oscarizáveis) e audiência de 43 milhões de pessoas somente nos EUA, o maior nos últimos 10 anos.
Os vencedores? Nenhuma surpresa. Os favoritos que o GoldDerby já havia listado aqui, confirmaram seus prêmios: Melhor filme para 12 ANOS DE ESCRAVIDÃO, Alfonso Cuarón o melhor diretor, Cate Blanchett e Matthew McConaughey os melhores atores principais e Lupita Nyong'o e Jared Leto os coadjuvantes. GRAVIDADE entra pra lista dos maiores vitoriosos, com 7 estatuetas, e TRAPAÇA ficou a ver navios, saindo sem nenhum troféu (mas a gente sabe que mais dia ou menos dia, David O. Russell vai fazer um 'hat trick' qualquer no Oscar, a gente só espera que seja com um filme bem melhor que os últimos que conseguiu emplacar).
Mas fica a lembrança de um prêmio que se não soube equilibrar seus momentos (para cada Brad Pitt abocanhando um pedaço de pizza; ou de Pharrell Williams colocando Meryl Streep e Amy Adams pra dançar, ainda tivemos alguns chatíssimos números musicais em excesso, como os de Pink e Bette Midler), soube celebrar o cinema com menos ranço e mais leveza.
(frente e verso de um dos momentos mais marcantes do Oscar)
Pra quem já quer começar a brincar para o próximo ano, a disputa começa do Oscar 2015 começa a ser ensaiada desde já: Clint Eastwood, Wes Anderson, Michael Fassbender, Joaquin Phoenix, Nicole Kidman, Michelle Williams, Meryl Streep, Ridley Scott e Christopher Nolan já são promessas que o Spoiler Movies e Hollywood Report colocam no cenário.
sábado, 1 de março de 2014
OSCAR 2014, apostas. Para entrar no clima da brincadeira, cinéfilo que se preze está com listinha de apostas em mãos. A minha, que está participando do bolão lá no AwardsDaily, tá aqui.
| Best Picture | Gravity |
| Best Director | Alfonso Cuaron, Gravity |
| Best Actor | Leonardo DiCaprio, The Wolf of Wall Street |
| Best Actress | Cate Blanchett, Blue Jasmine |
| Best Supporting Actor | Jared Leto, Dallas Buyers Club |
| Best Supporting Actress | Lupita Nyong'o, 12 Years a Slave |
| Original Screenplay | American Hustle |
| Adapted Screenplay | 12 Years a Slave |
| Best Animated Feature | Frozen |
| Best Foreign Film | The Great Beauty |
| Documentary Feature | The Act of Killing |
| Best Production Design | The Great Gatsby |
| Best Cinematography | Gravity |
| Best Costume Design | The Great Gatsby |
| Best Editing | Gravity |
| Best Makeup and Hair | Dallas Buyers Club |
| Best Score | Gravity |
| Best Song | Let it Go (Frozen) |
| Best Sound Editing | Gravity |
| Best Sound Mixing | Gravity |
| Best Visual Effects | Gravity |
| Best Animated Short | Get a Horse |
| Documentary Short | Facing Fear |
| Best Live Action Short | The Voorman Problem |
No domingo a noite volto aqui pra conferir a lista e comentar um pouquinho da festa (que a gente espera que seja, no mínimo, divertida!).
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
OSCAR 2014, véspera. Nessa reta final para a premiação,
alguns experts no prêmio já deram seu parecer para
essa disputa que parece ser a mais divida e incerta dos últimos anos. Lá no GoldDerby, que reúne trinta críticos de
cinema e conhecedores do assunto, o placar ficou assim:
FILME
12 Anos de Escravidão 65%
Gravidade 25%
Trapaça 2%
DIRETOR
Alfonso Cuarón 93%
Steve McQueen 3%
David
O. Russel 2%
ATOR
Matthew
McConaughey 90%
Leonardo DiCaprio 5%
Chiwetel Ejiofor 3%
ATRIZ
Cate Blanchett 93%
Amy
Adams 3%
Sandra
Bullock 2%
ATOR
COADJUVANTE
Jared
Leto 93%
Michael
Fassbender 3%
Barkhad
Abdi 2%
ATRIZ COADJUVANTE
Lupita Nyong'o 84%
Jennifer Lawrence 12%
June Squibb 2%
ROTEIRO ORIGINAL
Trapaça 51%
Ela 45%
ROTEIRO ADAPTADO
12 Anos de Escravidão 90%
Philomena 5%
Aqui no Brasil, a jornalista Ana Maria Bahiana traçou sua visão aqui. E o amigo Chico Fireman, do Filmes do Chico/UOL, analisou aqui de modo
bastante interessante o panorama montado nessa reta final, com a disputa em
aberto na maioria das categorias, reforçando a visão mostrando a disputa nos anos
anteriores.
Já o Awards
Daily, provavelmente o maior site que se debruça em cima do prêmio,
desde a antecipação dos filmes até a premiação final, cobrindo a temporada
anualmente, faz algumas simulações interessantes. No dia 25 de Fevereiro, um dos colaboradores do site, Marshall
Flores, definiu alguns favoritos diferente do que rola por aí, cravando GRAVIDADE melhor filme, Jennifer Lawrence melhor atriz coadjuvante e CAPITÃO PHILLIPS melhor roteiro adaptado. Hoje, em uma simulação caprichada das rodadas de apuração de votos, Ryan Adams crava praticamente
um empate na categoria principal, mostrando o equilíbrio entre os favoritos:
Domingo, dia 02 de
Março, às 23h (horário de Brasília), a cerimônia terá início sob apresentação
de Ellen DeGeneres, revelando os vitoriosos do ano.
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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
Com TRAPAÇA, o diretor David O. Russell constrói um universo fake e exagerado, cujo plot não dá pra se levar muito a sério (trata-se de uma grande brincadeira, sem qualquer conteúdo mais denso, que envolve os percalços de um casal de agiotas recrutados por um agente do FBI para desvendar as operações ilícitas de um mafioso). Dizem por aí que é uma 'homenagem' ao cinema norte-americano dos anos 70, o que fez do filme figurar na maioria das listas de melhores do ano (a maioria das indicações são um grande exagero, provavelmente pelo respeito que o diretor vem adquirindo junto à crítica hollywoodiana nos últimos anos). É uma comédia cheia de farsas, permeada de pequenas delícias: a trilha sonora com canções dos anos 60 e 70; algumas cenas memoráveis (especialmente as que envolvem as atrizes); Amy Adams e Jennifer Lawrence esplendorosas brigando por um homem barrigudo e feioso (o fraquíssimo Christian Bale); e uma sequência sensacional ao som de Live and Let Die, de Paul McCartney.
Para ver: TRAPAÇA (American Hustle, 2013, de David O. Russell). Com Christian Bale, Amy Adams, Jennifer Lawrence, Bradley Cooper, Jeremy Renner.
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domingo, 23 de fevereiro de 2014
Além das competentes atuações de Matthew McConaughey e Jared Leto, nada vai muito além do "ok, próximo" para CLUBE DE COMPRAS DALLAS - por vezes bastante irritante em sua tentativa de dar fôlego a seu argumento. É uma narrativa burocrata sobre um cidadão americano que, nos anos 80 e no auge do surto de transmissão do vírus da AIDS, diante dos tratamentos ineficazes utilizados pelo sistema de saúde dos Estados Unidos, decide buscar ele mesmo novas fontes de tratamento junto às pesquisas acadêmicas e distribuir a droga para outros portadores do HIV. Obviamente que o protagonista vai provar para o país inteiro que ele estava certo em relação aos novos medicamentos, muito mais eficientes, salvando a nação.
Para ver: CLUBE DE COMPRAS DALLAS (Dallas Buyers Club, 2013, de Jean-Marc Vallée). Com Matthew McConaughey, Jared Leto, Jennifer Garner, Denis O'Hare, Steve Zahn.
sábado, 22 de fevereiro de 2014
O diretor britânico Steven McQueen (do sensacional SHAME, de dois anos atrás) escreve seu nome no cinema norte-americano tocando em uma das maiores feridas da história dos Estados Unidos: a escravidão negra. Baseado em fato real, a narrativa acompanha doze anos da vida de Solomon Northup (o ótimo Chiwetel Ejiofor, na disputa do Oscar de Ator do ano) durante o século XIX. De negro liberto, com família constituída e trabalho nobre, Solomon é sequestrado e vendido como escravo para trabalhar nas fazendas de algodão do sul escravagista.
McQueen usa o ótimo roteiro de John Ridley para escancarar os maus tratos e a aflição sofrida pelos negros durante aquele período e, talvez inspirado pelo classicismo da época, constrói seu cinema da mesma forma: grandes paisagens naturais, grandes cenários de edificações com interiores minuciosamente decorados, papéis fortes, densos, com (quase) a mesma complexidade vista em seu filme anterior, e incrivelmente bem atuados em cenas marcantes.
Colocando 12 ANOS DE ESCRAVIDÃO no mesmo patamar que GRAVIDADE (já que estes parecem ser os filmes de 2013 para o cinema norte-americano), o filme de Steve McQueen ganha a disputa pela pertinência moral, social e histórica de sua obra, mas perde em todas as outras. É um belíssimo registro de uma época que merece ser lembrada para nunca mais ser repetida - filmado em belas cenas mas mantido à certa distância pelo diretor. Talvez falte um pouco mais de alma ou coração (como os que surgem das lágrimas de Lupita Nyong'o ao tronco e da tocante cena final) para tirar da obra certo gosto insípido que fica após sua exibição.
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Para ver: 12 ANOS DE ESCRAVIDÃO (Twelve Years a Slave, 2013, de Steve McQueen). Chiwetel Ejiofor, Michael K. Williams, Michael Fassbender, Brad Pitt, Quvenzhané Wallis, Adepero Oduye, Benedict Cumberbatch, Paul Dano, Sarah Paulson, Lupita Nyong'o
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Local:
Vitória - ES, Brasil
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
PHILOMENA aposta na ciclicidade da história do bebê roubado da personagem título, vivida por Judi Dench, como dorso principal de sua narrativa, o que ajuda a legitimar a história real, que se contada com bem menos cuidado do que o diretor Stephen Frears trata, certamente cairia em um dramalhão. Vejamos: jovem freira transa com um cara numa noite e engravida; as irmãs do Convento tiram o filho de seu convívio, o menino é adotado por uma família de outro país, e depois de 50 anos a mãe, junto a um jornalista decadente, inicia a busca pelo garoto, e descobre que ele se tornou importante figura política, ao mesmo tempo que manteve às escuras um sólido relacionamento homossexual, findado por conta de sua morte prematura, após adquirir o vírus da AIDS. O diretor inglês aposta firme em seus atores e a direção caminha estabelecendo um laço forte entre eles e se apoiando em ambos, mas sem exagerar nos sentimentalismos ou nos posicionamentos clichês, o que engrandece bastante a trama, tratando o assunto com impressionante sobriedade.
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Para ver: PHILOMENA (idem, 2013, de Stephen Frears). Judi Dench, Steve Coogan, Sophie Kennedy Clark, Mare Winningham
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
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Para ver: ELA (Her, 2013, de Spike Jonze). Com Joaquin Phoenix, Scarlett Johansson, Olívia Wilde, Rooney Mara, Amy Adams, Chris Pratt.
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ELA está em cartaz nos cinemas a partir de sexta, 14 de fevereiro.
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
Com a epopeia de Adèle no alardeado AZUL É A COR MAIS QUENTE, que arrebatou a Palma de Ouro em Cannes na edição de 2013, o diretor Abdellatif Kechiche implode sua protagonista de dentro pra fora, durante os anos de amadurecimento sexual e sentimental da jovem, próximo aos dezesseis-dezoito anos, revelando sua atração por mulheres. Do primeiro olhar de canto de olho para uma amiga da escola, passando ao primeiro beijo ("de brincadeira"), a constatação de que é diferente da maioria das garotas de sua idade a leva ao afastamento dos meninos, ao distanciamento da família (mesmo morando debaixo do mesmo tempo) e ao recolhimento que busca respostas que quase imediatamente a levam a um mundo inicialmente desconhecido - personificadas por Emma, a menina dos cabelos azuis - que formará o restante de sua personalidade, Se a naturalidade da proposta de Kechiche ao lidar com um assunto tão tabu de forma tão sincera choca com as provocantes, longas e corajosas cenas de sexo que a interprete Adèle Exarchopoulos e sua companheira de tela Léa Seydoux fazem, isso também justifica a necessidade do autor em tratar o assunto nesses termos. As duas atrizes brilham, e não foi por acaso que pela primeira vez o festival francês consagrou duas atrizes com a Palma de Ouro (além do filme).
Como o título original indica ("La vie d'Adèle - Chapitres 1 et 2") o diretor e roteirista propõe uma construção narrativa sem segmentação para os dois capítulos da vida da personagem, que poderiam ser chamados de antes e depois de conhecer Emma. Mas de fato, o que temos são três momentos em cena: a descoberta da sexualidade da personagem, seu romance e o pós-relacionamento. É tudo lindo e de uma coragem formidável, que como todo grande filme, merece ser recebido de peito aberto e sem pressão.
Para ver: AZUL É A COR MAIS QUENTE (La vie d'Adèle - Chapitres 1 et 2, 2013, de Abdellatif Kechiche). Com Adèle Exarchopoulos, Léa Seydoux, Benjamin Siksou.
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