sexta-feira, 6 de junho de 2014

EU, MAMÃE E OS MENINOS, o filme-sensação na França em 2013, está para eles assim como MINHA MÃE É UMA PEÇA, protagonizado por Paulo Gustavo, está para o público e cinema brasileiro. Guillaume Gallienne escreveu, dirigiu e protagonizou essa comédia autobiográfica sobre seu relacionamento com sua mãe - inclusive, interpretando-a. O filme passou na Quinzena dos Realizadores em Cannes 2013, estreou com grande público em outubro passado, e acabou gloriado no César (o maior prêmio do cinema francês), com 10 indicações e 5 troféus, o mais lembrado da festa. Apresentado como um espetáculo teatral transposto para a tela do cinema do começo ao fim, o filme tem uma divisão episódica durante toda a narração da vida do menino, que cresce com a lembrança de ser tratado por sua mãe como uma garota. Guillaume, o protagonista, desenvolve trejeitos e passa por todas as situações-clichês de quem descobre sua sexualidade: do susto inicial (tratado com ironia, uma vez que o menino realmente sempre achou que fosse uma garota e a partir de agora precisa começar a viver como um jovem homossexual) às sequencias situacionistas (a ida ao psiquiatra, o primeiro contato com um homem, a choque da descoberta de um 'mundo gay'). Sem charme, insosso e cheio de lugar-comum, é no mínimo curiosa essa recepção calorosa que o filme recebeu em seu país de origem. O filme fez parte da edição 2014 do Festival Varilux de Filme Francês, realizado em diversas cidades do país, no mês passado.

Para ver: EU, MAMÃE E OS MENINOS (Les garçons et Guillaume, à table!, 2013, de Guillaume Gallienne). Com Guillaume Gallienne, André Marcon, Françoise Fabian, Diane Kruger.
Cotação:

domingo, 1 de junho de 2014

“A única forma de me livrar dos meus medos é fazer filmes sobre eles”.

Alfred Hitchcock

sábado, 31 de maio de 2014


MALÉVOLA é um produto Disney que cumpre quase sempre o prometido. É divertido sem exagerar nas histrionices, com algumas boas sequencias cheias de efeitos visuais atrativos e Angelina Jolie se esbaldando no papel da fada malvada abusando das caras, bocas e viradinhas de pescoço dignas de uma cantora pop alçada ao plano de “diva” (para delírio da crescente plateia que se manifesta dentro do cinema com interjeições e aplausos). Interessante mesmo é perceber que a grande aposta do filme é também seu maior risco: para recontar a história do conto “A Bela Adormecida” sob o ponto de vista da vilã, o estúdio investe no mesmo caminho do sucesso FROZEN, que ganhou o último Oscar de animação. A antagonista da Bela (interpretada com excessos de sorrisos pela atriz Elle Fanning) passa por uma transformação em sua personalidade, deixando-a mais próxima da condição humana – aquela que cai em desgraça e comete maldades, mas também é cheia de virtudes e boas intenções –, como a rainha Elsa. A ousadia que modifica a trama do filme inevitavelmente acaba por modificar partes do conto original, dando ao filme seu maior atrativo: romper limites, propor mudanças, ousar sobre o que já foi dito, fugir da representação literal. É muito, muito bacana quando um filme corre risco e foge da segurança das representações repetitivas e banais (ainda que o público mais ortodoxo esbraveje ao final da sessão – como aconteceu com o recente NOÉ, quando a plateia saía do cinema acusando o diretor Darren Aronofsky de heresia por conta das mudanças promovidas na história do profeta bíblico). 

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Para ver: MALÉVOLA (Maleficent, 2014, de Robert Stromberg). Com Angelina Jolie, Elle Fanning, Sharlto Copley, Lesley Manville, Imelda Staunton, Juno Temple, Sam Riley.
Cotação: 


segunda-feira, 26 de maio de 2014

Em REFÉM DA PAIXÃO o diretor e roteirista Jason Reitman abandona o cinismo e ironia de JUNO e JOVENS ADULTOS para realizar um excelente drama romântico e melancólico sobre Adele (Kate Winslet), uma dona de casa que foi abandonada pelo marido e vive com o filho adolescente, Henry, em um subúrbio americano. Certo dia, suas vidas pacatas se cruzam com a de um fugitivo da polícia, Frank (Josh Brolin), que se esconde na casa da família. Da aproximação entre o bandido e a mocinha depressiva nasce um relacionamento, a princípio tenso e ilegal, que transforma a vida de ambos, conduzido com extrema destreza e paixão por Reitman – que retoma o passado dos personagens para solidificar as situações do presente. Sensível e doce, mesmo se equilibrando em uma linha moral muito tênue, Reitman introduz uma narração que se propõe olhar para esse universo de fora pra dentro, mas sem abandonar os detalhes do que acontece dentro da casa – é o filho, já adulto (na voz de Tobey Maguire) que relembra em tom saudosista o final-de-semana em que ele e Adele estiveram sob a tutela de Frank. A maturidade da construção lembra bastante os caminhos que o diretor já percorreu com o também sensível e sóbrio, ainda que apaixonante, AMOR SEM ESCALAS, de 2009. Grande trabalho também de Kate Winslet, atuando entre a amargura e os pequenos sopros de vida que sua personagem recebe.

Para ver: REFÉM DA PAIXÃO (Labor Day 2013, de Jason Reitman). Com Kate Winslet, Josh Brolin, Gattlin Griffith, Tobey Maguire, Tom Lipinski, J.K. Simmons, James Van Der Beek.
Cotação:


O conteúdo da edição 2014 do FESTIVAL DE CANNES, que consagrou o turco WINTER SLEEP com a Palma de Ouro, já está disponível na página especial do festival. Relembre aqui o dia a dia de exibição de cada um dos concorrentes.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Hoje, 12 de maio, faz 20 anos que PULP FICTION, de Quentin Tarantino, foi exibido pela primeira vez, no Festival de Cannes de 1994.

sábado, 10 de maio de 2014


A edição nº 75 do maior festival de cinema do mundo, o FESTIVAL DE CANNES, começa na próxima quarta-feira, dia 14 de maio. Já assistiu a todos os filmes que fizeram parte da edição de 2013? Relembre aqui cada um dos concorrentes.

quarta-feira, 7 de maio de 2014


Há quem torça o nariz para o cinema de armadilhas e artimanhas que o canadense Dennis Villeneuve faz. E depois da bem sucedida incursão no thriller hollywoodiano OS SUSPEITOS, no ano passado, em seu novo filme, O HOMEM DUPLICADO, o diretor volta a tocar na mesma construção de REDEMOINHO, sua estreia nos cinemas em 2000, vencedor de oito prêmios no Genie Awards daquele ano e da Mostra Panorama do Festival de Berlim. A história, que é baseada na obra homônima do escritor português José Saramago, apresenta como protagonista Adam, um professor universitário que certo dia assiste a um filme no conforto do sofá de casa e vê-se em cena, em segundo plano. A partir de então, começa a investigar o significado daquilo, atrás das respostas mais imediatas (um irmão gêmeo que nunca lhe foi anunciado ou a existência de um duplo/clone em algum lugar do mundo).

Extrapolando em muito a estranheza do universo visual criado em sua estreia, Villeneuve propõe um filme bastante enxuto, guiado por simbologias intrigantes e enigmáticas (a aranha que estampa o pôster, presente em diversos segmentos do filme, possivelmente é a mais emblemática delas), com diálogos e fatos que nunca merecem ser descartados e que se conectam com alguma outra sequência apresentada em seus 90 minutos de duração. O HOMEM DUPLICADO é um daqueles exemplares cinematográficos cuja primeira análise não dá cabo de todas as intenções almejadas: é preciso ruminar cada acontecimento como forma de montar o quebra-cabeça proposto pelo diretor. É um modo fascinantemente interessante de se fazer cinema (que se esgota numa segunda ou terceira olhada e a partir de então merece ficar na memória). O caminho percorrido pelo protagonista vivido por Jake Gyllenhaal até desvendar a existência de Anthony, seu duplo, tem suas ações e falas tão minuciosamente pensadas que chega a ser perturbador em quase todas as cenas – não é raro que o espectador se pergunte várias vezes que tipo de história está acompanhando – acrescido pelo fato de que, como a protagonista de Marie-Josée Croze de REDEMOINHO, Adam (o Tertuliano Máximo Afonso de Saramago) vive uma vida soturna e cíclica, que jamais parece despertar qualquer interesse dele mesmo – ainda que tenha uma boa profissão (que ele faz questão de conduzir com absoluta desmotivação), um belo apartamento (cuja ambientação é o reflexo de sua vida depressiva e desinteressante) e uma namorada belíssima (vivida pela francesa Melànie Laurent) com quem mantém boas noites de sexo.

O ótimo roteiro de Javier Gullón passa longe do didatismo, mesmo com seu autor afirmando ter modificado seções da trama original de Saramago. Para o filme, a complexa jornada de Adam teria, na verdade, um forte caráter subjetivo, distante de respostas fáceis que a existência de um homem duplo pode indicar. Para o cinema, O HOMEM DUPLICADO é Dennis Villeneuve percorrendo os caminhos que David Lynch fez em MULHOLLAND DRIVE – com menos camadas e brilhantismo, mas entregando um filme incrível.



SPOILER
(revelações importantes sobre o conteúdo do filme, não recomendável para quem ainda não o assistiu)


Apesar da trama suscitar diferentes explicações sobre seu conteúdo, a que me ocorre com maior clareza é que Anthony, o ator, é um produto do subconsciente de Adam, o professor. Como se ele estivesse num surto de dupla personalidade, em decorrência da vida insossa que leva com sua esposa, Helen (vivida pela atriz Sarah Gadon), que está grávida, após obrigá-lo a terminar seu caso extraconjugal com Mary (personagem de Melànie Laurent). Três eixos parecem capazes de sustentar essa ideia (ainda que muitas outras coisas corroborem para tal):

Helen, a esposa. Grávida, ela fica transtornada sempre que percebe a crise mental do marido (quando fala com ele ao telefone ou no apartamento, quando vai à universidade vê-lo) e sugere em uma conversa que desconfia que ele voltou a traí-la. Ela está grávida de 6 meses, mesmo tempo em que Anthony não vai até o prédio da agência de sua “carreira” no cinema, que pode ser o local em que ele se encontrava com a amante. Ela percebe a insanidade mental do marido e, nos diálogos, insiste que ele sabe o que está acontecendo.  

Mary, a amante. Adam sempre teve traços de infidelidade – frequentava clubes de strip-tease no passado, e chega a ser questionado por sua mãe quanto a sua instabilidade – e manteve um relacionamento com Mary em um apartamento que utilizavam para se encontrar, possivelmente sem ela saber que ele era casado (ele sempre tirava a aliança?). Ao se ver encurralado pela esposa por conta de sua sanidade mental, ele dá um jeito de eliminar a amante do seu caminho – em um plano psicológico, uma vez que ao que parece todos os acontecimentos do presentes são apenas fruto da imaginação de Adam. Mary já não é a amante há pelo menos seis meses (tempo para surgir uma marca de aliança no dedo, que ela estranha).

A aranha. O elemento que denota a loucura de Adam pode representar o ponto chave da trama: o aprisionamento a um relacionamento estável com sua esposa. A aranha aparece pela primeira vez na cena do clube de strip-tease, em que uma stripper solta o bicho sobre o palco rodeado de homens para logo depois pisar sobre ela, o que parece uma metáfora bem clara do desprestígio ao casamento ou, ainda, "pisar sobre a própria esposa". Ao avançar a trama, a aranha aparece outras duas vezes: primeiro sobre a cabeça de uma mulher sensual que caminha pelo teto de um corredor escuro em um sonho de Adam (outra metáfora para a infidelidade, a mulher que “vira a cabeça” do homem); e em seguida, sobre os edifícios da cidade (sinal da opressão do ser sociável?). Na cena do acidente de carro, após o capotamento, o vidro lateral do banco em que estava Mary, a amante, tem um trincado em forma de teia de aranha (a esposa teria, definitivamente, vitimado a amante e capturado o marido?). Por fim, após a aparente ordem mental de Adam ter sido restabelecida, na cena final, tem-se a maior estranheza, quando ele vê que a mulher se tornou uma aranha gigantesca dentro do quarto do casal, dominando cada pedaço do cômodo. Sugestivo, não?


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Para ver: O HOMEM DUPLICADO (Enemy, 2013, de Dennis Villeneuve). Com Jake Gyllenhall, Melànie Laurent, Sarah Gadon, Isabela Rossellini.
Cotação:

segunda-feira, 5 de maio de 2014

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Woody Allen, cujo filme de 2014 - MAGIC IN THE MOONLIGHT - está previsto para estrear em Julho nos Estados Unidos, já começa a preparar o filme de 2015: Joaquin Phoenix estará no elenco.

DEAR MR. WATTERSON, documentário sobre o criador dos personagens Calvin e Haroldo, Bill Watterson, se concentra em revelar o universo de autor, mostrando suas referências, explicando suas predileções e posturas e, também, revelando os principais acontecimentos de sua carreira, dos anos 80 para cá. À medida que o diretor do documentário, Joel Allen Schroedersai em busca de Bill (que evita a todo custo qualquer exibição pública), mostrando sua cidade, infância e primeiros trabalhos, como forma de adentrar no universo de criação do autor, algumas das melhores histórias de "Calvin e Haroldo" são reveladas ao espectador - inclusive em uma visita ao acervo público que detém todas as publicações originais de Bill. Na maior parte do tempo, a discussão se debruça sobre o fato de "Calvin e Haroldo" nunca ter sido comercializado em nenhum outro produto ou arte que não a própria tirinha (exigência de seu idealizador). O filme talvez não caia nas graças de quem não se derrame pelos encantos ou seja fã do universo do moleque e de seu tigre de pelúcia - como eu -, mas deve interessar aos que gostam de adentrar no processo de criação de um grande autor.

Para ver: DEAR MR. WATTERSON  (idem, 2013, de Joel Allen Schroeder). 
Cotação:

domingo, 27 de abril de 2014

A Liga dos Blogues Cinematográficos, associação que divulga mensalmente as avaliações dos filmes lançados no circuito comercial do país, avaliou os lançamentos de janeiro e fevereiro. No ano, os dez melhores filmes avaliados até agora são: 


sexta-feira, 25 de abril de 2014



Os filmes HOJE EU QUERO VOLTAR SOZINHO (idem, 2014), do brasileiro Daniel Ribeiro, e GAROTOS (Jongens, 2014), da holandesa Mischa Kamp, fizeram sua estreia mundial praticamente juntos – em fevereiro passado, no Festival de Berlim, e na TV de seu país de origem, respectivamente – e mesmo vindos de cinematografias distintas, evocam em suas discussões a descoberta sexual de seus protagonistas adolescentes como representação do momento da conquista da liberdade individual. Esse interessante diálogo entre as obras avança, ainda, para dentro de suas formulações e composições, estabelecendo caminhos similares que são propostos por seus diretores, ainda que preservadas suas particularidades. Vejamos:


- A sutileza do primeiro amor -

Ambos os filmes podem ser encarados como alegorias para a história do primeiro amor da vida de qualquer moleque, que nos cinemas ficou famoso nos anos noventa com a celebração de Macaulay Culkin e Anna Chlumsky em MEU PRIMEIRO AMOR (My Girl, 1991, de Howard Zieff). Mergulhados em uma narrativa clássica, os dois filmes apostam na sutileza do relacionamento entre seus protagonistas como manejo da construção cenográfica. A empatia e a espontaneidade das ações que acompanham a formação desse sentimento acaba por reduzir e desestimular rótulos e estereótipos sobre suas paixões: o fato de Leo e Gabriel estamparem o pôster do filme brasileiro, enquanto Sieger e Marc estarem lado a lado na produção holandesa é mero acaso. Para Daniel Ribeiro e Mischa Kemp, não há uma causa a ser defendida ou uma bandeira que precisa ser levantada. É através da naturalidade das situações que surge o encantamento entre os garotos.

O filme brasileiro apresenta como pano de fundo o cotidiano escolar dos adolescentes Leonardo e Gabriel, às voltas com trabalhos escolares, festas e decisões sobre o futuro. Leo, que é deficiente visual, se apaixona pelo colega recém-chegado à escola, ao passo que lida com a atribulada relação com Giovana, sua melhor amiga. O filme se mostra um pouco mais interessado em desenvolver uma problemática sobre o assunto ao complexar a trama com uma discussão bem mais textual a respeito da liberdade que anseia a idade, com diálogos que se debruçam nas questões que envolvem os obstáculos de Leo: a cegueira, a vontade de romper a dependência dos pais e a aceitação do desejo. Já no exemplar holandês, o cenário é o time de atletismo em que Sieger é recém-incorporado. Ao encontrar Marc, o atleta mais importante da equipe, o garoto desenvolve uma amizade imediata que funciona como refúgio para a carência afetiva familiar que possui. O filme aposta em uma menor intervenção de diálogos na trama e abusa de imagens ora mais contemplativas, ora cheia de indução sobre os acontecimentos, reforçando a confusão com a presença de outra garota, Stef – mas escapando, quase sempre, do dramalhão. A panoramização buscada pelos diretores para refletir a liberdade da paixão em suas obras reflete, em vários momentos, na adoção de uma câmera em planta baixa, como se buscando contemplar no quadro da câmera toda a cena possível (tal qual faz um arquiteto, ao estudar a gênese de um ambiente).
  


- Entre um passeio de bicicleta, o beijo roubado -

Os universos pautados pela sutileza são fortemente norteados por dois importantes elementos comuns aos dois filmes: o beijo e o passeio de bicicleta. O primeiro, equivalente à representação maior da paixão, momento de entrega ao sentimento e, para um adolescente, seu primeiro contato com o universo romântico do mundo dos adultos, surge em momentos distintos no dorso narrativo de cada um dos filmes, ditando as particularidades de ritmo de cada obra. Enquanto o filme brasileiro aposta numa paixão que chega a transitar pelo suspense (“isso também está acontecendo com o Gabriel?”, poderia se questionar Leo) até a confirmação daquilo que todo o tempo foi sugestionado (com um beijo já bem perto do fim), o filme holandês aposta numa surpresa de pronto (um beijo no terço inicial do filme), para só depois situar-se no desenvolvimento do foco principal da trama. Nas duas produções, no entanto, ele assume sua face mais atraente: surge roubado. O outro elemento, os passeios de bicicleta, de presença constante nas narrativas, mas que também rende pequenas sequências memoráveis, é apresentado como símbolo dessa liberdade desejada pelos protagonistas, que ao longo dos filmes ganham contornos diferentes (bem mais pueril para os personagens de HOJE EU QUERO VOLTAR SOZINHO e transformador para os de GAROTOS).

Ao som de Belle e Sebastian e M83, Daniel Ribeiro e Mischa Kemp encerram suas histórias de liberdade reforçando uma ideia de continuidade (“o que acontece a partir de agora?”, possivelmente Sieger disse a Marc) – como se a empatia criada entre o público e seus personagens possibilitasse uma existência para além do apresentado em seus filmes, cujas escolhas (muitas vezes questionáveis), solidificassem o desejo maior do espectador, de perpetuação de momentos tão agradáveis dentro do cinema.


Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, 2014, de Daniel Ribeiro.


terça-feira, 22 de abril de 2014

Nesse feriadão assisti a HOJE EU QUERO VOLTAR SOZINHO e o que posso dizer é que o filme é imperdível - lindo, lindo. Em breve volto aqui pra contar mais. Por enquanto, vale a discussão proposta pelo amigo Mateus Nagime sobre o impacto das redes sociais no público do filme nos cinemas. Aqui em Vitória, o filme segue em cartaz lá no Cine Jardins.


quinta-feira, 17 de abril de 2014




Olivier DAHAN
GRACE DE MONACO
(filme de abertura)


COMPETIÇÃO OFICIAL:




Olivier ASSAYAS
SILS MARIA
Bertrand BONELLO
SAINT LAURENT
Nuri Bilge CEYLAN
KIS UYKUSU
David CRONENBERG
MAPS TO THE STARS
Jean-Pierre DARDENNE e Luc DARDENNE
DEUX JOURS, UNE NUIT
Xavier DOLAN
MOMMY
Atom EGOYAN
CAPTIVES
Jean-Luc GODARD
ADIEU AU LANGAGE
Michel HAZANAVICIUS
THE SEARCH
Tommy Lee JONES
THE HOMESMAN
Naomi KAWASE
FUTATSUME NO MADO
Mike LEIGH
MR. TURNER
Ken LOACH
JIMMY’S HALL
Bennett MILLER
FOXCATCHER
Alice ROHRWACHER
LE MERAVIGLIE
Abderrahmane SISSAKO
TIMBUKTU
Damian SZIFRON
RELATOS SALVAJES
Andrey ZVYAGINTSEV
LEVIATHAN


UN CERTAIN REGARD:


Marie AMACHOUKELI, Claire BURGER e Samuel THEIS

  PARTY GIRL (1st film)
(filme de abertura)

Lisandro ALONSO
SIN TITULO
Mathieu AMALRIC
LA CHAMBRE BLEUE
Asia ARGENTO
INCOMPRESA
Kanu BEHL
TITLI (1st film)
Ned BENSON
ELEANOR RIGBY
Pascale FERRAN
BIRD PEOPLE
Ryan GOSLING
LOST RIVER (1st film)
Jessica HAUSNER
AMOUR FOU
Rolf de HEER
CHARLIE’S COUNTRY
Andrew HULME
SNOW IN PARADISE (1st film)
July JUNG
DOHEE-YA (1st film)
Panos KOUTRAS
XENIA
Philippe LACÔTE
RUN
Ruben ÖSTLUND
TURIST
Jaime ROSALES
HERMOSA JUVENTUD
WANG Chao
FANTASIA
Wim WENDERS e
 Juliano RIBEIRO SALGADO
THE SALT OF THE EARTH
Keren YEDAYA
HARCHECK MI HEADRO


segunda-feira, 14 de abril de 2014

Na ocasião do lançamento de HOJE EU QUERO VOLTAR SOZINHO aqui em Vitória (o filme entra em cartaz no Cine Jardins, na próxima quinta-feira) o jornalista Leonardo Vais, do SouES, entrevistou o diretor Daniel Ribeiro, que sintetizou seu trabalho: “é uma história de amor, não muito comum, mas muito bonita de se ver”. O filme estreou no Festival de Berlim, em março, e está em cartaz no país.


Fazia bastante tempo que o mais tradicional dos produtos da Disney (as fábulas de princesa) não despertava tanto interesse e elogios quanto Frozen: Uma Aventura Congelante. E todas as boas críticas são merecidas: baseado no conto A Rainha da Neve de Hans Christian Andersen, o filme tem ótimas cancões inseridas numa narrativa muito eficiente, em que apresenta duas princesas órfãs às vésperas da coroação da irmã mais velha, uma pseudo-vilã, cuja construção da personagem salta aos olhos (ela não é totalmente boa, mas as 'maldades' também não são, de certa forma, propositais). Os diretores Chris BuckJennifer Lee fogem do lugar-comum com os bichos falantes dos filmes Disney e apostam numa tática-Pixar: um encantador boneco de neve falante, cuja existência se apresenta totalmente explicada pelo contexto da narrativa. No lançamento brasileiro, destaque para as boas transposições das músicas originais e pela dublagem de Fábio Porchat como Olaf, o divertidíssimo boneco de neve. O filme ganhou o Oscar de Melhor Filme de Animação, Melhor Canção e se tornou a maior bilheteria mundial para um filme de animação na história do cinema - a 9ª entre todos os filmes. 

Para ver: FROZEN - UMA AVENTURA CONGELANTE  (Frozen, 2013, de Jennifer Lee). Com as vozes de Idina Menzel, Kristen Bell e Jonathan Groff.
Cotação:
 

quinta-feira, 10 de abril de 2014

terça-feira, 8 de abril de 2014


Rechaçam NOÉ, o filme de Darren Aronofsky, por ser uma “representação pessoal do diretor para a história bíblica, que privilegia mudanças narrativas e inclusão de elementos fantásticos”. Julgamentos que me parecem soar inapropriados, baseados em argumentos aparentemente sem sentido – se não cabe a uma obra de ficção a representação de um universo pela visão de seu autor, a quem cabe? Suponho que o que confere ou não valor a uma obra artística não parece ser o caminho pelo qual escolhe seguir, mas de que forma ele é construído. Exatamente onde o filme de Aronofsky falha.

A adaptação de Darren é uma história incrivelmente pessoal e ele volta ao Éden de Adão e Eva para mostrar que os dias atuais é uma sucessão de erros advindos da serpente e da maçã: a Terra se tornou um lugar cinza e desolado pelas mãos do próprio homem (descendente de Caim, que matou Abel), corrompido pelos piores adjetivos. Ao situar a narrativa sob o olhar de Noé (descendente de Set, o irmão bom do trio dos filhos do paraíso), reforça o mal-estar humano existente além dos limites de seu clã – que o leva à obediência cega dos pedidos do Criador para a construção da Arca que salva sua família e um casal de cada animal existente, relegando o restante dos seres vivos à morte. O diretor aposta em um protagonista temente (papel que coube bem a Russell Crowe), capaz de concluir, como o Deus bíblico do Gênesis fez, que o mal está no homem desde sempre. Narrativamente, este talvez seja o ponto chave para se entender o Noé de Aronofsky, que não mostra a complacência de Deus para justificar a permanência do homem sobre a Terra pós-Dilúvio. Daí vem as mudanças de maior impacto à história original (principalmente na inserção da personagem de Emma Watson e de Ray Winstone). Algumas são boas sacadas no roteiro e respondem bem aos questionamentos que qualquer criança que um dia frequentou uma aula de catequese já se fez. Outras soam desconexas, como o excesso de vértices dramáticos no clímax do filme. O grande problema é que quase todas elas são visualmente fajutas.

Por que essa, talvez, seja essa a maior característica do filme de Aronofsky: brega. NOÉ é um filme incrivelmente brega. Começando pelo tom fabulesco e forjado do paraíso dos pais de Set (que se tornaram sombras imersas no verde das árvores, emboscados pela tentação da serpente que troca de pele - e se torna souvenir de Noé! - e pelo fruto vermelho que pulsa nos galhos); passando pela estranha figuração dos anjos guardiões da humanidade (seres petrificados que parecem saídos de uma mistura dos universos O Senhor dos Anéis e Transformers); e a presença do sábio Matusalém, interpretado por Anthony Hopkins, uma espécie de Mestre dos Magos que confirma os passos de Noé (facilmente descartado da narrativa, que inclusive resolveria situações forçadas do roteiro).

Ainda assim, o diretor constrói boas sequências exatamente de onde se espera que venham: a construção da arca, o dilúvio, o desespero da humanidade e a sobrevivência sobre águas. E consegue finalizar em sua própria encenação o julgamento que o próprio Deus bíblico faz de sua ação: todo homem é inclinado ao mal, inclusive seu próprio protagonista. 
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Para ver: NOÉ (Noah, 2014, de Darren Aronofsky). Com Russell Crowe, Jennifer Connelly, Emma Watson, Anthony Hopkins, Ray Winstone, Logan Lerman, Douglas Booth.
Cotação: